Reino Unido aprova dois remédios a base de cannabis

Dois medicamentos à base de cannabis, usados ​​para tratar epilepsia e esclerose múltipla, foram aprovados para uso pelo Departamento de Saúde e Assistência Social da Inglaterra, o NHS.

Instituições de caridade receberam bem a iniciativa, embora alguns ativistas que lutam pelo acesso à planta tenham dito que ela não foi suficientemente longe.

Ambos os medicamentos foram desenvolvidos no Reino Unido, onde também são cultivados.

Os médicos poderão prescrever Epidyolex, para crianças com dois tipos de epilepsia grave – síndrome de Lennox Gastaut e síndrome de Dravet – que podem causar múltiplas convulsões por dia.

Os ensaios clínicos demonstraram que a solução oral, que contém canabidiol (CBD), pode reduzir o número de convulsões em até 40% em algumas crianças.

O Epidyolex foi aprovado para uso na Europa em setembro, mas, no texto de orientação, o NICE (Instituto Nacional de Saúde e Assistência Social) disse inicialmente que não era uma opção econômica.

Custa entre 5.000 e 10.000 libras por paciente a cada ano – mas o fabricante, GW Pharmaceuticals, concordou com um preço mais baixo com o NHS.

Estima-se que existam 3 mil pessoas com Dravet e 5 mil com síndrome de Lennox Gastaut na Inglaterra. A droga não contém o principal componente psicoativo da cannabis, o THC.

As decisões sobre a disponibilidade de medicamentos são distribuídas em todo o Reino Unido, mas as orientações do NICE também devem ser aplicadas no País de Gales e na Irlanda do Norte. A Escócia pode seguir o exemplo no próximo ano.

O outro tratamento, Sativex, é um spray para a boca que contém uma mistura de THC e CBD.

Foi aprovado para o tratamento de rigidez e espasmos musculares, conhecidos como espasticidade, na esclerose múltipla. Mas os médicos não poderão prescrevê-lo para tratar a dor.

Foi o primeiro medicamento à base de cannabis a ser licenciado no Reino Unido após testes clínicos e está disponível no NHS no País de Gales desde 2014. Custa cerca de 2.000 libras por ano por paciente.

Naquela época, os reguladores da Inglaterra disseram que não era rentável, mas agora essa decisão foi revertida. Também deve estar disponível na Irlanda do Norte.

Qual tem sido a reação?

A professora Helen Cross, consultora em neurologia pediátrica do Great Ormond Street Hospital, que liderou os testes britânicos do Epidyolex, disse que são “ótimas notícias”.

“As síndromes de Dravet e Lennox Gastaut são epilepsias complexas e difíceis, com opções limitadas de tratamento eficaz, e isso dá aos pacientes outra opção … que pode fazer a diferença no tratamento”, disse ela.

Galia Wilson, presidente da Dravet Syndrome UK, disse: “Muitas famílias vêm até nós perguntando sobre o potencial de medicamentos à base de cannabis, particularmente o canabidiol, e estamos entusiasmados que um já esteja disponível no NHS”.

Mas nem todo mundo é feliz. Muitos pais de crianças com epilepsia estão pagando milhares de libras por mês por medicamentos importados da Europa e do Canadá que contêm THC e CBD.

Eles relataram reduções drásticas no número e na gravidade das convulsões em seus filhos e estão furiosos porque o NICE não aprovou nenhum medicamento à base de cannabis para epilepsia infantil que contém os dois componentes.

O grupo de campanha, End Our Pain, disse que as novas diretrizes são uma “grande oportunidade perdida”.

A porta-voz Millie Hinton disse: “Essa orientação restritiva está condenando muitos pacientes a ter que pagar em particular por medicamentos que transformam vidas, ficar sem ou considerar acessar fontes ilegais e não regulamentadas”.

Como chegamos a esse ponto?

A lei foi alterada em novembro de 2018 para permitir que médicos especialistas prescrevessem medicamentos para maconha, mas isso aconteceu em apenas alguns casos.

Instituições de caridade com esclerose múltipla também argumentam que as diretrizes da NICE não vão longe o suficiente. Genevieve Edwards, da MS Society, disse que faz campanha pelo acesso ao Sativex há anos e “foi brilhante que o NICE finalmente ouviu”.

No entanto, ela disse que as diretrizes não foram suficientemente longe porque não foram recomendados tratamentos à base de cannabis para tratar a dor – um sintoma comum da EM.

Ela também acrescentou que ainda mais pessoas podem perder “porque o Sativex seria financiado por órgãos locais – que podem não ter o recurso necessário para prescrevê-lo”.

Ley Sander, diretor médico da Epilepsy Society e professor de neurologia da UCL, disse que a necessidade de novas opções de tratamento é inquestionável e é reconfortante que o novo medicamento tenha passado por ensaios clínicos e processos regulatórios.

“Estou satisfeito hoje que o Epidyolex seja disponibilizado no País de Gales através do nosso Novo Fundo de Tratamento, o que significa que estará disponível em não mais de 60 dias”, disse Vaughan Gething, ministro da Saúde do País de Gales

SECHAT

Capacete para escaneamento cerebral ajuda a examinar crianças em movimento

Cientistas usaram um capacete de bicicleta modificado para criar um dispositivo que pode monitorar a atividade cerebral em crianças em tempo real.

A tecnologia pode eventualmente ser usada em pacientes com distúrbios do desenvolvimento neurológico, como autismo e epilepsia, relataram os pesquisadores nesta terça-feira na revista Nature Communications.

Os pesquisadores inseriram um dispositivo vestível de magnetoencefalografia (MEG) em um capacete de bicicleta padrão e registraram com sucesso a resposta do cérebro ao toque materno em crianças de entre dois e cinco anos.

Com o equipamento padrão, é muito difícil examinar o cérebro de crianças com menos de oito anos, disse Matthew Brookes, que trabalhou no dispositivo e é autor do relatório.

“Isso ocorre porque em crianças pequenas, suas cabeças são pequenas demais para caber corretamente no scanner e isso significa perda de qualidade dos dados”, disse à AFP. “Além disso, indivíduos mais jovens tendem a se mover mais”.

O dispositivo está equipado com sensores pequenos e leves que impedem que a verificação seja afetada pelo movimento da cabeça.

As crianças podem usar réplicas do capacete em casa para reduzir a ansiedade durante o exame, disseram os pesquisadores.

A tecnologia não se limita às crianças.

Brookes e seus colegas usaram versões maiores do dispositivo para registrar a atividade cerebral em um adolescente que jogava videogame e em um garoto de 24 anos que tocava ukelele.

Brookes disse que seus colegas da Universidade College London estão trabalhando no uso clínico do dispositivo MEG – incluindo diagnóstico e mapeamento cirúrgico – para adultos e crianças com epilepsia.

Ele espera que as aplicações possam ser expandidas para outras condições, como lesão cerebral, saúde mental e demência.

“Esperamos que (o dispositivo) seja usado para examinar pacientes dentro de dois a três anos”.

Destak // Saúde

Ambulatório de dieta cetogênica do HU é o primeiro do Brasil a tratar exclusivamente de adultos

Segundo o relatório “Epilepsia, um imperativo de saúde pública (em tradução livre)”, divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 75% das pessoas diagnosticadas com epilepsia em países de baixa renda, como o Brasil, não recebem o tratamento adequado. Além desse número, cerca de 20% das pessoas diagnosticadas com epilepsia é, ainda, farmacorresistente, sofrem da denominada epilepsia refratária. Neste cenário, o ambulatório nutricional de dieta cetogênica do Hospital Universitário (HU) da UFSC é o primeiro e único do Brasil a oferecer o tratamento para esta enfermidade exclusivamente para adultos.

A epilepsia refratária refere-se a casos em que não se consegue diminuir ou controlar o número de crises epilépticas com uso de até dois medicamentos, tratamento mais comum.  A dieta cetogênica surge então, em 1920, como um tratamento alternativo, indicado principalmente para esses pacientes. Baseada quase exclusivamente em lipídios, a terapia cetogênica restringe a alimentação a gorduras e proteínas para alterar o funcionamento do sistema nervoso central, diminuindo as descargas elétricas desencadeadas durante as crises epilépticas. Em relação às demais terapias, como a intervenção cirúrgica, o tratamento através de estímulos elétricos ou ainda o farmacológico, a dieta cetogênica é uma das menos invasivas.

De acordo com as professoras Letícia Ribeiro e Julia Moreira, coordenadoras do ambulatório, o principal motivo da escolha pelos adultos como público alvo é a carência de atendimento para esta faixa etária. Soma-se a isso o fato de a eficácia em tratamentos infantis ser superior em relação aos adultos. Entre as crianças com epilepsia, a dieta cetogênica costuma melhorar as crises entre 90% e 100% dos casos, enquanto a resposta dos adultos varia entre 50% a 60%.

O tratamento utilizado no HU é projetado com base no protocolo do Hospital Johns Hopkins, da Universidade de Baltimore (UB), nos Estados Unidos, referência mundial em terapia para pacientes com epilepsia farmacorresistente. Essa convenção determina como a dieta deve ser aplicada e quais procedimentos devem ser realizados antes e durante a terapia. A depender do nível de intensidade das crises epiléticas, muitos não podem caminhar na rua sozinhos ou cozinhar por conta própria. O tratamento adequado pode trazer de volta a autonomia para alguns desses pacientes.

Todo o atendimento é feito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), sem custos hospitalares. Em geral, logo de início, todas as pessoas atendidas concordam em entrar na dieta por, no mínimo, três meses, podendo se estender por até dois anos, quando uma nova avaliação é feita para encerrar a terapia ou não. As consultas ocorrem a cada 30 dias, com monitoramento e acompanhamento em tempo integral. “Os nossos pacientes têm acesso livre aos nossos telefones pessoais, para tirar dúvidas, principalmente do que pode e não pode comer”, comenta a professora Letícia.

A dieta cetogênica aumenta o consumo de lipídios, enquanto diminui o de carboidratos, componente presente na maior parte dos alimentos. Gorduras e proteínas passam a ser mais ingeridas; em contrapartida, o consumo de amido, glicose, lactose e outros de carboidratos é restrito ao equivalente de 5% a 10% do valor calórico total (VCT). Para o café da manhã, por exemplo, os pacientes precisam cortar alimentos habituais do consumo geral dos brasileiros, como pães, leite e qualquer tipo de açúcar. No lugar desses alimentos, as nutricionistas sugerem panquecas cetogênicas, leite de coco e adoçantes industrializados. O prato mais habitual da culinária brasileira, o arroz e feijão, também precisa ser substituído.

“Não é fácil! Quase tudo tem carboidrato”, comenta a neurologista do projeto, Mariana Lunardi, adepta da dieta por oito meses. Por causa da especificidade da dieta, os membros do ambulatório produziram um livro de receitas para encaminhar aos pacientes, com dicas de alimentos para a maior parte das situações. “Levando em consideração que a maioria das pessoas que a gente atende é de baixa renda, estudamos os produtos que mais se encaixavam nessa realidade”, completou.

Estratégia de emagrecimento

A dieta cetogênica é comumente divulgada, também, como estratégia de emagrecimento, justamente por diminuir o consumo de carboidratos. No entanto, conforme relata a professora Júlia, o emagrecimento é um efeito colateral da terapia. Pela sua configuração, desbalanceada em micronutrientes, a dieta cetogênica expõe o indivíduo a risco de algumas deficiências nutricionais. “Não é uma dieta que se possa sair fazendo sem nenhuma orientação ou acompanhamento”, acrescenta.

Como os pacientes não podem comer um grande número de frutas, legumes ou cereais, alguns efeitos colaterais são esperados, como constipação, dor de cabeça, cansaço, fadiga, sono e apatia. Segundo as nutricionistas do ambulatório, esses efeitos podem acontecer até que o metabolismo se adapte à dieta. O tempo pode variar de uma semana a alguns meses. “É um tratamento como qualquer outro, tem que ser seguido à risca. Qualquer pisada fora pode comprometer a eficácia”, alerta a professora Letícia.

Erick Souza / Estagiário de Jornalismo / Agecom / UFSC

Ciclo de palestras sobre epilepsia 2019

Canabidiol Verdades e Mitos

Palestrante: Dr. Lécio Figueira Pinto

Evento gratuito e aberto ao público

Palestra dirigida a profissionais, estudantes, pessoas com epilepsia, familiares e interessados pelo tema.

Certificado de participação aos presentes.

Transmissão ao vivo em nossa página –

f live /AssociaçãoBrasileiradeEpilepsia

Data do evento: 12 de novembro de 2019

Horário: Das 19h20 ás 21h00

Local: Anfiteatro Jóse Cassiano de Figueiredo (UNIFESP)

Rua Botucatu, 862, Vila Clementino – São Paulo – (SP)

(Próximo as estações do metrô Santa Cruz e Hospital São Paulo)

Registro de canabidiol é questão de bom senso, diz diretor da Anvisa

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar ou não plantio de Cannabis sativa e o registro de medicamentos à base de canabidiol – substância derivada da Cannabis, planta popularmente conhecida como maconha -, deve ser concluída até o dia 12 de novembro. A expectativa do presidente da Anvisa, William Dib, é a de que “o bom senso prevaleça” e a matéria seja aprovada pela diretoria da agência.

Dois regulamentos estão tramitando sobre a questão. Um para autorizar o plantio e outro para autorizar o registro de medicamentos à base da Cannabis sativa. Depois de passarem por consultas públicas, as propostas foram reformuladas, assimilando algumas das contribuições apresentadas.

 O  diretor-presidente da Anvisa, William Dib, durante reunião da Diretoria Colegiada  para discutir, requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da planta Cannabis spp. exclusivamente para fins medicinais ou científicos.

“Dois diretores pediram vista do caso separadamente mas, considerando o prazo regimental, acredito que no máximo até 12 de novembro será definida a votação”, disse Dib à Agência Brasil hoje (23), após participar do Fórum Terapias Gênicas Avançadas: Geração de valor na jornada do paciente e do sistema de saúde, em Brasília.

“A expectativa é de que a ciência e o bom senso sejam vitoriosos, porque é bom para a população e para a sociedade, que está carente de alternativas terapêuticas. Acho que é um grande passo para uma alternativa terapêutica mais segura e eficaz, e com um custo mais baixo”, acrescentou.

Paciência

Às famílias dos que dependem desse tipo de medicamento – usado para o tratamento de doenças e sintomas relacionados à epilepsia, Mal de Parkinson, esquizofrenia, autismo, ansiedade, insônia, dores e inflamações, além de náuseas, vômitos e espasmos causados por quimioterapia, inapetência – o presidente da Anvisa pediu paciência, “porque a espera resultará em uma proposta mais bem elaborada”.

“O momento é de serenidade. Não é um momento para a gente reclamar, porque um pedido de vista é, antes de mais nada, um pedido para aprimorar o projeto. Acredito que os diretores que pediram vista o fizeram para apresentar uma proposta que, na opinião deles, seja melhor do que a proposta que a gente apresentou”, disse o presidente da Anvisa, que é o autor da proposta que deu início à tramitação na agência.

“Estamos abertos a essa discussão. Não há motivo para perdermos a esperança de que vá ser aprovado e que em breve as famílias tenham condições de chegar à farmácia e ter acesso ao medicamento”, acrescentou.

Às pessoas radicais ao uso desse tipo de medicação, Dib sugere que “estudem mais, leiam mais e absorvam mais” as informações sobre o tema. “Discussões como essa já aconteceram há mais de 100 anos, quando os opiáceos [derivados do ópio] foram transformados em substâncias importantes para a analgesia, para terapias alternativas. Hoje em dia já existem mais de 350 medicamentos aprovados e registrados no Brasil, que têm origem nos opiáceos. Os produtos que serão liberados pela Anvisa não vão causar nem dependência física nem dependência psíquica”, disse.

EBC

Sancionada lei que cria política de trabalho para pessoa com epilepsia

Brasília (DF) – O Governo do Distrito Federal sancionou, na segunda-feira (21), lei de autoria do deputado distrital Delmasso (Republicanos-DF) que cria uma Política Pública Distrital de Trabalho, Emprego e Renda para pessoa com epilepsia na capital federal. A lei garantirá que o ambiente de trabalho seja acessível e inclusivo para a pessoa com epilepsia.

Delmasso é defensor da causa das pessoas com epilepsia e tem lutado para que o Estado possa atendê-las melhor. “Essa lei é mais uma vitória para as pessoas com epilepsia, porque muitas delas perdem o emprego por sofrer alguma crise e muitas vezes até deixam de ser contratadas por ter epilepsia. Agora vamos garantir que as pessoas com epilepsia tenham o direito de viver dignamente”, comemorou o republicano.

A Política Pública vai implementar serviços e programas de habilitação profissional para que a pessoa com epilepsia possa ingressar, continuar ou retornar ao trabalho. A lei também garante o direito a igualdade de oportunidades sem sofrer discriminação, direito à participação a cursos, treinamentos, educação continuada, planos de carreira, promoções, bonificações e incentivos profissionais.

Aproximadamente 70 mil pessoas têm epilepsia no Distrito Federal, segundo informações da Secretaria de Saúde. Delmasso é autor da Lei 5625/2016 que garante o fornecimento de medicamentos de alto custo para pessoas com epilepsia, como o canabidiol por exemplo, na rede pública de saúde.

Texto: Ascom – deputado distrital Delmasso 

Atividade física

A prática esportiva desempenha um papel fundamental na promoção de uma vida mais saudável para o paciente com epilepsia e pode ser vista como um aspecto importante na sua integração social.

Os médicos assumem posições e condutas variadas, mas as evidências sugerem que a maioria dos pacientes com epilepsia se beneficia do exercício regular.

Há pequena evidência de que os esportes de contato e de colisão possam aumentar o risco de lesão em pessoas com epilepsia, contra as muitas evidências de que limitar a participação de crianças em atividades esportivas pode trazer importantes conseqüências psicológicas.

São inúmeros e bem conhecidos os benefícios físicos que a prática esportiva traz aos pacientes portadores de epilepsia, assim como à população em geral: aumento da capacidade aeróbica, aumento do trabalho cardíaco, aumento da massa corpórea magra, diminuição do nível plasmático de colesterol, além do benefício de reduzir a freqüência das crises epilépticas durante a prática esportiva.

Maiores ainda são os benefícios psicológicos envolvidos com a prática de atividade física, principalmente em pacientes com epilepsia, os quais costumam apresentar maior quantidade de queixas subjetivas como fadiga, problemas de sono, depressão e ansiedade.

A prática esportiva traz aos pacientes com epilepsia um ganho de auto-estima e auto-confiança, maior convívio social, noção de trabalho de equipe, senso de controle sobre a doença, redução da ansiedade, da depressão e do estigma e regularização do sono.

Considerações sobre as Diversas Práticas Esportivas

A prática esportiva, infelizmente, não é possível a todos os pacientes com epilepsia, particularmente aos que sofrem crises graves e freqüentes com comprometimento neurológico importante. Quase dois terços dos pacientes têm doença estável, com crises raras e tratamento bem adaptado, e os problemas neurológicos e mentais são mínimos ou inexistentes. Assim, é principalmente em relação a esse grupo, isto é, crianças ou adultos com doença estável, que comentaremos sobre as diversas modalidades esportivas.

  • Natação. A epilepsia comprovadamente é fator de risco para afogamento. A maioria dos acidentes fatais em pessoas com epilepsia ocorre na água, mais em atividades recreacionais do que em esportivas. Um estudo retrospectivo americano de 10 anos, sobre afogamentos, entre jovens menores de 20 anos mostrou que epilepsia prévia fazia parte da história de 7,5% dos indivíduos (risco cerca de 4 vezes maior que o da população em geral).

Visto que a natação tem-se tornado atividade física popular entre os pacientes com epilepsia e que as medidas de segurança diminuem drasticamente o risco de acidentes (89% de todas as vítimas não tinham supervisão), tornam-se mandatórios o uso de equipamentos de segurança e a supervisão adequada, além de alguns autores preconizarem a proibição da natação competitiva para crianças.

  • Esportes de colisão e contato. Incluem os esportes de equipe, estando entre os mais populares. Não há dados que comprovem que traumas menores de crânio repetidos causem danos em pacientes com epilepsia, e estudos mostram que a história prévia de epilepsia não indica predisposição a convulsão após trauma de crânio.
  • Boxe. Alguns autores acreditam que esta atividade deva ser proibida para qualquer criança, principalmente as crianças com epilepsia, apesar de não haver dados que mostrem que atletas com epilepsia sofram maior risco. Estudo realizado entre boxeadores amadores na Suécia não demonstrou dano cerebral significativo, ao contrário do já comprovado em boxeadores profissionais, que vão de leves distúrbios cognitivos até a síndrome do punch-drunk.
  • Esportes motorizados. Esportes sobre rodas requerem equipamentos de segurança e as ruas movimentadas devem ser evitadas. Devem ser liberados para pacientes com doença controlada e, se não há bom controle ou se o diagnóstico é recente, essas atividades devem ser limitadas inicialmente.
  • Esportes que envolvam altura. Como essas atividades podem trazer risco de lesão séria e óbito, deve ser feita uma avaliação individual que leve em conta o tipo e a freqüência das crises e a resposta ao tratamento, principalmente em relação a hipismo, ciclismo e ginástica olímpica. O alpinismo e o pára-quedismo estão formalmente contra-indicados (assim como o mergulho, já citado), por razões óbvias.

Contra-indicações de Atividades Esportivas para Pessoas com Epilepsia

Absolutas

  • Vôo, pára-quedismo e asa-delta
  • Alpinismo e escaladas
  • Mergulho submarino
  • Natação competitiva (para crianças).

Relativas

  • Arco e flecha, arremesso de dardo e tiro
  • Ciclismo competitivo para crianças com ausência Natação, surfe e ginástica olímpica.
  • Atividades no gelo e esportes motorizados.

Mais Equilibrio

Epilepsia

Definição

É uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Se ficarem restritos, a crise será chamada parcial; se envolverem os dois hemisférios cerebrais, generalizada. Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância se a crise for menos aparente.

Sintomas

Em crises de ausência, a pessoa apenas apresenta-se “desligada” por alguns instantes, podendo retomar o que estava fazendo em seguida. Em crises parciais simples, o paciente experimenta sensações estranhas, como distorções de percepção ou movimentos descontrolados de uma parte do corpo. Ele pode sentir um medo repentino, um desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente. Se, além disso, perder a consciência, a crise será chamada de parcial complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Tranqüilize-a e leve-a para casa se achar necessário. Em crises tônico-clônicas, o paciente primeiro perde a consciência e cai, ficando com o corpo rígido; depois, as extremidades do corpo tremem e contraem-se. Existem, ainda, vários outros tipos de crises. Quando elas duram mais de 30 minutos sem que a pessoa recupere a consciência, são perigosas, podendo prejudicar as funções cerebrais.

Causas

Muitas vezes, a causa é desconhecida, mas pode ter origem em ferimentos sofridos na cabeça, recentemente ou não. Traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas também facilitam o aparecimento da epilepsia.

Diagnóstico

Exames como eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem são ferramentas que auxiliam no diagnóstico. O histórico clínico do paciente, porém, é muito importante, já que exames normais não excluem a possibilidade de a pessoa ser epiléptica. Se o paciente não se lembra das crises, a pessoa que as presencia torna-se uma testemunha útil na investigação do tipo de epilepsia em questão e, conseqüentemente, na busca do tratamento adequado.

Cura

Em geral, se a pessoa passa anos sem ter crises e sem medicação, pode ser considerada curada. O principal, entretanto, é procurar auxílio o quanto antes, a fim de receber o tratamento adequado. Foi-se o tempo que epilepsia era sinônimo de Gardenal, apesar de tal medicação ainda ser utilizada em certos pacientes. As drogas antiepilépticas são eficazes na maioria dos casos, e os efeitos colaterais têm sido diminuídos. Muitas pessoas que têm epilepsia levam vida normal, inclusive destacando-se na sua carreira profissional.

Outros Tratamentos

Existe uma dieta especial, hipercalórica, rica em lipídios, que é utilizada geralmente em crianças e deve ser muito bem orientada por um profissional competente. Em determinados casos, a cirurgia é uma alternativa.

Recomendações

Não ingerir bebidas alcoólicas, não passar noites em claro, ter uma dieta balanceada, evitar uma vida estressada demais.

Crises

Se a crise durar menos de 5 minutos e você souber que a pessoa é epiléptica, não é necessário chamar um médico. Acomode-a, afrouxe suas roupas (gravatas, botões apertados), coloque um travesseiro sob sua cabeça e espere o episódio passar. Mulheres grávidas e diabéticos merecem maiores cuidados. Depois da crise, lembre-se que a pessoa pode ficar confusa: acalme-a ou leve-a para casa

O que fazer

  • Mantenha-se calmo e acalme as pessoas ao seu redor;
  • Evite que a pessoa caia bruscamente ao chão;
  • Acomode o indivíduo em local sem objetos dos quais ela pode se debater e se machucar;
  • Utilize material macio para acomodar a cabeça do individuo, como por exemplo; um travesseiro, casaco dobrado ou outro material disponível que seja macio;
  • Posicione o indivíduo de lado de forma que o excesso de saliva ou vômito (pode ocorrer em alguns casos) escorram para fora da boca;
  • Afrouxe um pouco as roupas para que a pessoa respire melhor;
  • Permaneça ao lado da vítima até que ela recupere a consciência;
  • Ao término da convulsão a pessoa poderá se sentir cansada e confusa, explique o que ocorreu e ofereça auxílio para chamar um familiar.Observe a duração da crise convulsiva, caso seja superior a 5 minutos sem sinais de melhora, peça ajuda médica.

O que não deve ser feito durante a crise convulsiva: 

  •  Não impeça os movimentos da vítima, apenas se certifique de que nada ao seu redor irá machucá-la;
  • Nunca coloque a mão dentro da boca da vítima, as contrações musculares durante a crise convulsiva são muito fortes e inconscientemente a pessoa poderá mordê-lo;
  • Não jogue água no rosto da vítima.

Liga Brasileira de Epilepsia / Associação Brasileira de Epilepsia

Procurador geral de justiça visita casa de apoio a pessoas com epilepsia

 

O Procurador-Geral de Justiça, Aluildo de Oliveira Leite, visitou nesta sexta-feira (25/1) a Casa de Apoio a Pessoas com Epilepsia do Estado de Rondônia, que abriga pacientes, e seus familiares, que buscam tratamento médico para a doença em Porto Velho. A casa fica situada na Rua Canárias, nº 1.525, no Bairro Três Marias, na Capital, tendo como referência o Hospital Cemetron.

Acompanhado do Procurador de Justiça, Edmilson de Matos Fonsêca, coordenador do Projeto Epilepsia em Debate na Sociedade, desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Rondônia; do Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, Conselheiro Edilson de Sousa Silva; do Secretário-Geral do MPRO, Promotor de Justiça Marcos Valério Tessila; e do Coordenador de Planejamento e Gestão, Promotor de Justiça Jorge Romcy Auad Filho, o Procurador-Geral de Justiça foi recepcionado pela diretora da Casa de Apoio, a Defensora Pública aposentada Rosária Novaes.

A Casa de Apoio a Pessoas com Epilepsia está funcionando há dois anos e atende cerca de 100 pessoas por mês, a maioria do interior do Estado de Rondônia, mas recebe também pacientes de outros Estados, como Acre e Amazonas. Conta com o apoio de diversos profissionais, a exemplo de médicos, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Também presta assessoria jurídica e apoio para solicitação de aposentadorias, Benefício de Prestação Continuada e Passe Livre nos ônibus, para os que necessitam desses auxílios.

O Procurador de Justiça Edmilson Fonsêca ressalta que a pessoa com epilepsia sofre profunda rejeição por parte da sociedade, encontrando enorme dificuldade de hospedagem, mesmo em casa de familiares. A construção da casa foi executada com doações voluntárias da sociedade, sem utilização de recursos públicos.

O projeto Epilepsia em Debate na Sociedade, desenvolvido pelo MPRO, tem como objetivo promover a conscientização sobre a epilepsia, esclarecendo a população sobre o que é a doença, suas formas de manifestação e tratamento. Outro ponto central da iniciativa é o combate ao estigma e preconceito de que são vítimas as pessoas com epilepsia.

 

Ministerio Publico de Rondonia