Algoritmo de rede cerebral pode ajudar no combate a epilepsia

Atualmente, o tratamento de pacientes epilépticos é visto com muita cautela pela comunidade médica, já que a impossibilidade de prever, em muitas casos, sua ocorrência, além da discriminação das causas, torna a avaliação ainda mais delicada e sutil mesmo para especialistas da área. Com sintomas irregulares que podem surgir poucos instantes ou, até mesmo, semanas antes de uma crise, a necessidade de investir em estudos e pesquisas surge como algo imprescindível para o combate à epilepsia.
Cientistas e pesquisadores do Centro de Neurociência de Sistemas da Universidade de Boston e do Hospital Geral de Massachusetts, então, iniciaram um estudo alternativo aos medicamentos, já que cerca de um terço dos pacientes não respondem com eficácia à utilização de remédios, e à cirurgia de resseção, que consiste na remoção de uma seção do tecido cerebral para corrigir as convulsões.
O novo projeto de combate à crise epiléptica tem como base a análise e o conhecimento do funcionamento da rede cerebral humana, onde todos os dados de conexões e mapeamento da atividade neurológica serão extraídos para facilitar o entendimento das áreas do cérebro e o comportamento de como suas comunicações são estabelecidas, assim como ocorre seu trabalho coletivo na determinação e no padrão das crises epilépticas.

A tecnologia favorecendo a biologia

Diversos pesquisadores das áreas clínicas e da análise de dados se uniram, então, para tentar desmembrar as informações retidas no cérebro através da utilização de eletrodos, processo realizado em procedimentos pré-cirúrgicos de resseção, quando cerca de 80 eletrodos são instalados no cérebro do paciente para detectar o comportamento cerebral local.
“Criamos uma metodologia que nos ajudou a extrair o que chamamos de ‘comunidades dinâmicas’ desses dados”, disse Eric Kolaczyk, diretor do Rafik B. Hariri Instituto de Computação e Ciência e Engenharia da Computação. “Isso, por sua vez, permite visualizar e analisar como essas redes mudam ao longo do tempo. A epilepsia é tradicionalmente considerada um evento em que o cérebro trava e todas as regiões estão trabalhando juntas. Descobrimos que há um processo mais matizado.”
Dessa forma, cada eletrodo é responsável por mapear a região cerebral a qual está relacionado, podendo rastrear padrões de comunicação através de um algoritmo especializado, em uma tarefa complexa de mapeamento onde sequências de até 80.000 redes podem ser encontradas em 24 horas de exames.
A “comunidade dinâmica”, então, poderá surgir como um dos grandes determinantes para o tratamento de crises epilépticas e para sua consequente prevenção.
Fonte: Mega Curioso

A brasileira que comanda a 1ª empresa autorizada a vender maconha medicinal no Brasil

Em 2014, o documentário “Ilegal” chegou aos cinemas contando a história de famílias que lutavam para conseguir importar medicamentos à base de canabidiol (CBD), um componente sem efeitos psicoativos extraído da cannabis – a planta da maconha – e que é de grande ajuda no tratamento de síndromes de epilepsia.

Na época, o mercado de “maconha medicinal”, como é chamado, ainda engatinhava nos Estados Unidos e era um enorme tabu no Brasil. O lançamento do filme, porém, trouxe mudanças ao cenário e também para a vida da jornalista fluminense Caroline Heinz.

Ex-produtora da TV Globo, hoje ela é CEO global da HempMeds, um dos braços do grupo Medical Marijuana Inc., a primeira empresa de remédios à base de cannabis a abrir capital nos EUA. A HempMeds é também a primeira a conseguir autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para vender seus medicamentos no Brasil.

Caroline entrou na HempMeds como assistente de comunicação e, em menos de cinco anos, chegou ao cargo mais alto da empresa como diretora-executiva, em junho de 2020. A ascensão meteórica da brasileira combina com a própria história da companhia no Brasil.

Tudo começou quando a HempMeds, uma startup recém-nascida e com poucos funcionários americanos, teve que se virar para atender à crescente demanda de brasileiros querendo importar o RSH Oil, medicamento contra crises convulsivas mostrado no filme “Ilegal”.

A barreira do idioma foi aos poucos contornada pela entrada de mais e mais brasileiros – entre os primeiros deles, Caroline, que precisou dos medicamentos da empresa em um tratamento nos EUA para a remoção de células pré-cancerosas no colo do útero. A startup existia há apenas três meses quando ela chegou.

De assistente de marketing, Caroline foi para o setor de vendas, depois foi promovida a diretora de marketing e vendas, diretora de operações, vice-presidente e, desde o início da pandemia de coronavírus, CEO da empresa que tem escritórios em cinco países e que vende para o mundo todo.

Hoje ela trabalha na Califórnia, um dos primeiros estados norte-americanos a regularizar não só a produção e a venda de medicamentos à base de canabidiol, mas também o uso recreativo da maconha.

Foi por causa do RSH Oil produzido e vendido pela HempMeds e a história de uma das clientes da empresa, Katiele Bortoli Fischer, contada em “Ilegal”, que a Anvisa emitiu em 2015 a primeira resolução brasileira autorizando e determinando regras para a importação de canabidiol ao Brasil, um marco na luta pela regulamentação da maconha medicinal no País.

Em 2019, liderada por Caroline, a HempMeds começou uma nova campanha junto ao governo brasileiro para flexibilizar ainda mais as regras. O esforço culminou em uma nova resolução da Anvisa, emitida em março de 2020, que libera a venda de CBD em farmácias.

Ascensão meteórica

De assistente de marketing a CEO em seis anos pode parecer um piscar de olhos. Mas no caso de Caroline, alguns disseram que a promoção demorou. “Quando eu fui promovida a vice-presidente, me falaram ‘você não tinha que ser VP, tinha que ser CEO logo'”, ela diz, em entrevista ao Yahoo.

“Eu fiquei grávida logo após entrar na HempMeds, em 2016. Imagina, você é imigrante, ainda não tem o inglês perfeito, grávida… ‘minha carreira acabou por aqui’, eu pensei. Mas a Medical Marijuana Inc. é uma empresa que tem seus core values [valores centrais].”

Parte da explicação para o sucesso de Caroline na empresa é sua dedicação intensa – muitas vezes ignorando o horário de trabalho. “Eu estava indo parir a minha filha, na sala de cirurgia, no telefone, falando com mãe aqui e ali. Elas falavam ‘sai desse telefone, vai parir!’. Trabalho 24 horas, sábado e domingo”, ela diz, entusiasmada.

“Quando você é muito dedicado assim, o resultado fica claro. E os Estados Unidos é um país regido por meritocracia. Se você está ali dando resultado e dedicação, não tem outro caminho que não seja esse. É completamente diferente [do Brasil]. Eu achei que nunca ia passar na Globo, fiz seis entrevistas. Seis. Um processo seletivo absurdo.”

Nova chefe

Como uma das poucas representantes femininas entre as CEOs do mercado de cannabis dos EUA, Caroline diz que traz para o cargo a sua paciência – que ela crê ser uma virtude tipicamente feminina – e a identificação com as duas pontas da cadeia produtiva: as mães que a empresa atende e as mulheres que são maioria em muitas fazendas de cânhamo que fornecem a matéria-prima da HempMeds.

Logo que assumiu a posição, Caroline já impôs uma reformulação na estrutura hierárquica da companhia, trocando a organização vertical de funções por um esquema de trabalho mais horizontal, sem tantos gargalos e com mais colaboração entre diferentes setores.

A nova chefe também redistribuiu cargos, tentando explorar as melhores habilidades de cada profissional em posições que as valorizem. A ideia foi trazer à empresa um estilo de liderança mais moderno para combinar com um mercado tão jovem quanto o de cannabis.

Pensando em sua terra-natal, Caroline se diz otimista sobre o futuro da cannabis medicinal. “O Brasil é um país super conservador, e antes de 2014 ninguém sabia o que era CBD. Se você pensar que a gente está aqui, seis anos depois, com medicamentos entrando nas farmácias, eu acho que foi um avanço bem rápido.”

Fonte: Yahoo finanças

 

 

Ouvir este compositor reduz frequência de crises epiléticas, diz estudo

Há cerca de 20 anos, a ciência descobriu pela primeira vez que a música de Mozart pode ter efeitos positivos em pacientes com epilepsia. Agora, num estudo publicado na Epilepsia Open, investigadores do Toronto Western Hospital vão mais além.

Os autores Marjan Rafiee e Taufik Valiante analisaram os efeitos da melodia de Mozart, ‘Sonata para dois pianos em ré maior, K. 448’ na redução de convulsões, em comparação com outro estímulo auditivo – uma versão embaralhada da composição original de Mozart, com características matemáticas semelhantes, mas misturadas aleatoriamente e sem qualquer ritmo.

“Nos últimos 15 a 20 anos, aprendemos muito sobre o efeito de uma das composições de Mozart na redução da frequência de crises em indivíduos com epilepsia”, diz Marjan Rafiee, citado pela Science Daily. “Mas, uma das perguntas que ainda estava por responder era se os indivíduos mostrariam uma redução semelhante na frequência de crises, ouvindo outro estímulo auditivo – uma peça de controle – em comparação com Mozart”.

Para descobrir, os investigadores recrutaram treze pacientes para participar neste novo estudo, com a duração de um ano. Após três meses do período de referência, metade dos pacientes ouvia a Sonata de Mozart uma vez ao dia, depois, nos seguintes três meses, passavam para a versão codificada. A outra metade, iniciou a intervenção ouvindo a versão codificada durante três meses e, depois, Mozart.

Durante este período, os pacientes mantiveram um ‘diário de convulsões” para documentar a frequência das crises. Os medicamentos foram mantidos inalterados durante o estudo.

Usando os dados dos ‘diários de convulsões’, os investigadores chegaram à conclusão que os pacientes sofreram menos convulsões durante o período em que ouviam a ‘Sonata para dois pianos em ré maior, K. 448’.

Fonte: Noticias ao Minuto

Jornada on-line sobre epilepsia trará experts para 14 dias de debates

Começou nesta segunda-feira, 1 de junho, a Jornada Asas da Liberdade, que promoverá 14 dias seguidos de lives sobre epilepsia. O fisitorapeuta Igor Tagore, anfitrião do evento, conta que a ideia é apresentar os mais atuais tratamentos na área e derrubar mitos sobre a doença, enfrentando preconceitos que ainda persistem contra as pessoas que vivem com epilepsia. Temáticas transversais, como fisioterapia, dietas, direitos sociais e mobilização também deverão ser discutidos.
“Serão 14 dias de evento on-line e gratuito. Esclarecemos dúvidas sobre sintomas, tratamentos, redução de crises, entre outros assuntos relevantes com médicos e outros especialistas. Traremos experts nas mais diversas áreas para falar conosco de epilepsia”, conta o anfitrião.
A jornada é promovida pela empresa Epilepsia360, que atua na área científico-educacional, e tem o apoio da organização não governamental Iluminando a Vida, entidade que atua no auxílio a pacientes com a doença. “Foi para fazer um pouco mais pelas pessoas com epilepsia e mobilizar a sociedade que criamos a jornada Asas da Liberdade”, diz Igor.
Canabidiol
Entre os temas que serão tratados na jornada está o canabidiol. A substância, que não é psicoativa, tem sido uma importante aliada no controle das crises causadas pela epilepsia.
Igor, que estuda o canabidiol há algum tempo, explica que o cérebro humano e algumas outras regiões do corpo apresentam receptores para a substância. “Esses receptores utilizam um sistema que é chamado de endocanabinoide, que está em diversos tecidos, realizando um efeito modulatório sobre cada região. E isso é muito promissor do ponto de vista neurocientífico porque o que a gente tem mostrado hoje é que derivados da canabis que já estão sendo estudados não competem com os demais medicamentos. Do contrário, tem sido vista a diminuição da quantidade das medicações ou do número de medicamentos usados pelos pacientes que adotam o canabidiol”.
O anfitrião da jornada informa que existem hoje mais de 20 medicamentos para epilepsia no mundo e muitos deles não podem ser usados juntos com outras drogas porque elas competem na ação, “como se você estivesse dando mais do mesmo para o paciente”. Com os derivados da canabis isso não acontece. “O CBD, que é a sigla para canabidiol, tem sua área de atuação”, destaca Igor. Em outras palavras, “o paciente estará usando um medicamento que já tem o sistema próprio, que já existe naturalmente, e esse medicamento não fica competindo com os outros que a pessoa já toma”.
O CBD tem demonstrado um potente efeito anti-inflamatório no organismo e também um efeito redutor de morte celular. “Ele previne a célula de morrer durante uma crise epilética ou um acidente vascular cerebral, embora isso ainda não esteja bem estabelecido para uso, mas experimentos têm mostrado isso. É um medicamento promissor, que tem demonstrado ótimos resultados, inclusive sobre outras doenças têm sido visto crescentes relatos positivos”, explica o fisioterapeuta.
Cirurgias
A epilepsia acomete 1,5% da população brasileira, o equivalente a 3 milhões de habitantes. Desses 3 milhões de brasileiros, 60% podem ser tratados com medicação e 40% terão que fazer cirurgia ou tratamento não medicamentoso. Ou seja, não há dúvidas de que a epilepsia é uma questão de saúde pública, que merece a devida atenção. E a garantia de cirurgias para os que delas precisam é fundamental, diz Igor.
Ele conta que a primeira cirurgia de epilepsia e também a primeira cirurgia de neuromodulação para epilepsia do Norte foi feita em 2013 pelo neurocirurgião Francinaldo Gomes, que já confirmou participação nas lives da Jornada Assas da Liberdade. Expert em neurocirurgia de epilepsia, Francinaldo falará sobre os vários aspectos da doença e da luta em favor das pessoas que vivem com epilepsia, que necessitam de tratamento adequado, seja medicamentoso, seja cirúrgico.
Inclusão
 
Fundamental, também, será o debate sobre inclusão. “É necessário desmistificar a doença, mostrar que viver com epilepsia com qualidade de vida é possível. As pessoas com epilepsia podem e merecem vida plena”, afirma Igor.
Ativistas da causa das pessoas com epilepsia, integrantes de entidades que atuam nas várias áreas também participarão das lives. “Teremos a participação de integrantes da ONG Iluminando a Vida, de Belém do Pará, e da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), entre outras entidades, que constituem uma rede de apoio à pessoa com epilepsia”, adianta Igor Tagore.
Ele explica que não se pode falar para pessoas que vivem com epilepsia sem considerar vários aspectos, que vão além da medicação e da cirurgia: “É preciso falar de educação, de apoio psicológico, de assistência social, de direitos legais, enfim, é preciso falar de vida. Escolhemos esse nome para a nossa jornada porque efetivamente queremos ajudar as pessoas que sofrem com a doença a encontrar a liberdade e para isso é preciso reunir esforços para encontrar alternativas de tratamento e acolhimento”.
SAIBA MAIS:
 
A Jornada Asas da Liberdade começa nesta segunda-feira, 1, com lives sempre a partir das 19h57 no Instagram @epilepsia360. Os participantes poderão interagir com os convidados durantes as lives e nos grupos de WhatsApp para os que se inscreverem.
O link para inscrição é http://go.epilepsia360.com.br/asas-da-liberdade
Fonte: Terra

Falta de olfato, AVC, epilepsia: novos sintomas ligados à covid-19

A elevada prevalência de sintomas neurológicos em pacientes acometidos pelo coronavírus na China levou pesquisadores da USP e da Universidade da Região de Joinville (Univille) a fazer uma revisão não sistemática de alguns artigos publicados recentemente em revistas científicas. O estudo, ainda não revisado por outros cientistas, está disponível desde abril na plataforma preprints.org.

As complicações observadas atingem o sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal) e o sistema nervoso periférico (gânglios e nervos). A anosmia (perda da percepção de cheiro) e a disgeusia (diminuição do paladar) foram frequentemente relatadas por pessoas com a covid-19. “A série de casos relatados pelos chineses mostra que a prevalência dessas patologias é muito maior do que se achava em 2019”, conta ao “Jornal da USP” Marcus Vinícius Magno Gonçalves, neurologista da Univille e o último autor do paper.

A intenção dos cientistas brasileiros com a divulgação desse paper foi chamar a atenção de profissionais de saúde e cientistas. Jean Pierre Schatzmann Peron, coordenador do Laboratório de Interações Neuroimunes do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, está debruçado em tentar entender como o vírus acessa o sistema nervoso central. “A gente se baseia em outros coronavírus humanos, causadores de Síndrome Aguda Respiratória Grave (SARS) e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), que passam de um neurônio a outro até atingir o sistema nervoso central”, explica Peron. “Mas ainda é especulação, pois muito pouco se sabe sobre os mecanismos de ação do SARS-CoV-2.”

Sintomas

Desde o aparecimento dos primeiros casos de covid-19 na China, os principais sintomas relatados são febre, cansaço, tosse seca, febre alta, além de pneumonia e dificuldade para respirar. Porém, com a propagação do vírus pelo mundo, muitas outras manifestações foram relatadas e documentadas nos últimos meses, principalmente sintomas neurológicos, como a perda de olfato e paladar.

Um possível mecanismo de acesso ao sistema nervoso central pelo SARS-Cov-2 é via bulbo olfatório, primeiro nervo craniano responsável por receber informações dos neurônios receptores olfativos. Pode ser esse um alvo de infecção do coronavírus.

O artigo brasileiro cita um estudo publicado por Ling Mao, do Departamento de Neurologia do Union Hospital, afiliado à Faculdade Médica de Tongji da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China. Os pesquisadores analisaram 218 pacientes hospitalizados e diagnosticados com covid-19. Dores de cabeça, tontura, estado confusional, ataxia, doença cerebrovascular aguda e epilepsia apareceram em 24% dos internados. Os dados foram coletados entre 16 de janeiro 2020 e 19 de fevereiro de 2020.

A hiposmia (redução do olfato) também tem chamado a atenção da comunidade médica. Em um estudo europeu publicado em abril de 2020, descreveram disfunções de olfato e paladar cerca de 86% e 88% dos 417 pacientes infectados, respectivamente. Dentre eles, cerca de 13% relataram fantosmia (alucinação olfativa) e 32% tiveram parosmia (qualquer alteração olfativa); de todos os 76 pacientes que não apresentaram obstrução nasal ou rinorreia (corrimento nasal excessivo), quase 80% apresentaram anosmia ou hiposmia. “O que nos intriga é que, de todos os pacientes que tiveram neuropatia olfatória, apenas 40% ficaram curados após 30 dias do início dos sintomas”, afirma Marcus Gonçalves.

Casos mais graves

O que chamou a atenção dos pesquisadores foram pacientes jovens, com menos de 50 anos, que tiveram AVC isquêmico e hemorrágico associado à fisiopatologia do vírus. Curiosamente, os pacientes com problemas no sistema nervoso central foram associados a casos mais graves da doença. Encefalomielites disseminadas agudas (ADEM) também foram relatadas. “É uma doença que acontece após o contato viral; ela faz lesão no encéfalo e na medula espinhal”, explica Gonçalves ao “Jornal da USP”.

Meningites, encefalites e a síndrome de Guillain-Barré foram observadas na coorte chinesa (estudo que analisa um determinado grupo de pessoas durante um longo período de tempo). “Por isso é importante chamarmos a atenção da comunidade científica sobre esses sintomas, pois o médico vai precisar intervir de maneira diferente, já que há essa correlação entre coronavírus e quadros neurológicos”, explica Peron, cujo grande desafio agora é compreender como o sistema imunológico responde a esse tipo de infecção. “Muitos fatores devem influenciar, inclusive a carga viral presente nos pacientes.”

Percepção clínica

Adalberto Studart Neto é neurologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP. Ele está à frente do Grupo de Estudos em Neurocovid, montado recentemente no HC. O médico é cuidadoso ao falar sobre a relação entre neuropatologias e covid-19. “Frequentemente, observamos sintomas neurológicos, mas não sabemos se eles estão direta ou indiretamente relacionados ao vírus”, explica. “Crises epilépticas, por exemplo, podem também ser consequência de distúrbios sistêmicos causados pela tempestade de citocinas que o vírus causa no organismo”, diz o médico ao “Jornal da USP”.

Studart Neto enfatiza que esses distúrbios podem estar correlacionados com o estado clínico dessas pessoas. “Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões, mas as necropsias vão ajudar a comunidade científica a entender o que realmente acontece no organismo de um paciente infectado pelo coronavírus.”

Já Gonçalves, que está participando de um estudo de coorte em Joinville, é mais enfático. “A minha percepção como médico é que vamos ter um grande grupo de pacientes com disfunção cognitiva a médio e longo prazos”, afirma. “Além disso, como parece que há uma perda de neurônios durante a doença, vamos assistir a um aumento da incidência de doenças neuropsiquiátricas.”

Peron vai abrir outra frente de estudo: as consequências da covid-19 na gestação. “Por mais que as mulheres não sejam suscetíveis à infecção, queremos investigar o impacto que o vírus pode causar ao feto”, completa.

Fonte: Terra Ciencia Planeta

Deputado vê “clima favorável” para liberação de plantio de cannabis para fins medicinais

A comercialização de produtos feitos à base de cannabis já foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 3 de dezembro de 2019. Com regras válidas por três anos, a regulamentação aprovada elencou requisitos necessários para os produtos no país e estabeleceu parâmetros de qualidade para a autorização de fabricação e importação, com condições de prescrição, dispensação, monitoramento e fiscalização.

Mas uma comissão especial na Câmara dos Deputados quer mais. A ideia é propor uma regulamentação que permita o plantio para fins medicinais, questão vetada pela Anvisa e criticada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Para defensores da autorização do cultivo, a proibição obriga que a indústria farmacêutica tenha que importar a cannabis, o que deixa a produção mais demorada e cara.

É o que diz o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), presidente da comissão. Nos dias 13 e 14 de fevereiro, o parlamentar visitou a Colômbia para conhecer a regulação no país vizinho, onde o plantio é autorizado. O petista viajou acompanhado do relator da proposta, deputado Luciano Ducci (PSB-PR), e do deputado Eduardo Costa (PTB-PA). Antes, Teixeira também havia ido ao Uruguai com a mesma tarefa.

Na Colômbia, a comitiva liderada por Teixeira se reuniu com membros do Ministério da Justiça, do Ministério da Saúde e Proteção Social, do Instituto Colombiano Agropecuário e do Instituto Nacional de Vigilância Sanitária. O grupo de deputados também foi à Colombian Organics SAS – Escritório e Cultivo, para conhecer de perto o cultivo, a produção e a distribuição da cannabis. A agenda incluiu ainda uma ida à empresa Khiron Life Sciences Corp, uma companhia latino-americana que produz cannabis medicinal.

Além das viagens, a comissão especial já realizou 12 audiências públicas e deve promover mais quatro para debater o tema. O objetivo é acolher sugestões para, em abril, apresentar uma proposta de regulamentação da cannabis no Brasil a ser votada no Congresso Nacional. Segundo Teixeira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já acenou favoravelmente para uma regulação “abrangente”, mas o Palácio do Planalto pode reagir de forma contrária.

Embora permitido no Uruguai, o uso recreativo não é uma possibilidade para a proposta desta comissão. Teixeira afirma que o foco é autorizar o plantio para a produção de medicamentos no Brasil, para a pesquisa científica, para a produção de cosméticos, para fins veterinários e, além disso, permitir a oferta por farmácias de manipulação.

CartaCapital: Qual foi o motivo da viagem?

Paulo Teixeira: Essa viagem foi aprovada na comissão que está redigindo uma lei de regulamentação de uso medicinal da cannabis. Viajamos para o Uruguai, depois para a Colômbia, e já realizamos 12 audiências públicas com especialistas, pacientes, associações, para discutirmos o tema.

CC: Há pouco tempo, a Anvisa aprovou a comercialização de produtos à base de cannabis. Isso não foi suficiente?

PT: A regulamentação da Anvisa é muito limitada, porque ela impediu o plantio, que possibilitaria o desenvolvimento da indústria nacional. Quem quiser fabricar algum produto com o princípio ativo da cannabis, tem que importar. E essa importação vai encarecer, demasiadamente, a produção do medicamento no Brasil. Assim, nós temos que ir para além da regulamentação da Anvisa, e um assunto que nós tratamos muito foi sobre o plantio.

Temos de autorizar o plantio para, de um lado, o desenvolvimento de pesquisa, e de outro, de uma indústria nacional de fármaco, que utilize produtos à base da cannabis para o tratamento de doenças como epilepsia, fibromialgia, câncer, alzheimer, parkinson. Nós achamos que a regulamentação da Anvisa foi um passo, mas precisam ser dados outros passos.

CC: Por que a Colômbia decidiu regular a comercialização da cannabis?

PT: A Colômbia regulou o uso medicinal. Eles estão desenvolvendo, de um lado, uma indústria nacional de medicamentos, e de outro lado, uma indústria de produtos cosméticos. Porque tem propriedades da cannabis que são antioxidantes e servem para queimaduras, rugas e tratamentos de pele. Assim, a Colômbia, além de desenvolver uma indústria, permite o plantio para a indústria farmacêutica, para a produção de cosméticos, para o uso científico e para o uso veterinário.

CC: Esse foi o mesmo motivo para a regulamentação no Uruguai?

PT: O Uruguai tem uso medicinal, farmacêutico e regulamentou também o uso para cosméticos, para associações e o uso nas farmácias de manipulação. Então você pode plantar para essas finalidades: produção de medicamentos, cosméticos, estudos científicos e veterinários.

CC: Entre as duas regulações, há alguma mais eficiente?

PT: As duas. Elas avançaram, são abrangentes e bastante desenvolvidas. Dá para aprender com os dois modelos. Ambos os países, Uruguai e Colômbia, entenderam que apenas permitir o uso e a produção de fármaco ia resolver o problema. Mas a produção de fármaco, de um lado, é demorado, e de outro lado, é cara. Então, com o tempo, ambos os países autorizaram farmácias de manipulação fornecerem medicamentos, porque assim esses produtos seriam mais acessíveis.

Por exemplo, em uma regulamentação nossa, ao permitir a produção de fármacos, ela terá que permitir a atuação das farmácias de manipulação para imediatamente oferecer o tratamento ao paciente. Autorizar somente a produção de medicamentos, com grau farmacêutico, não resolve a questão em curto prazo. Esse foi o grande aprendizado que a gente teve, tanto no Uruguai, como na Colômbia.

Nos dois países, eles tiveram que aprovar uma nova legislação permitindo a comercialização de medicamentos por farmácias de manipulação, foi a maneira mais imediata de oferecer medicamentos aos pacientes. Às vezes, para desenvolver um remédio, demora-se um, dois, três anos. Então, você aprova uma lei, cria uma expectativa e, no outro dia, não tem como atender o paciente. Foi o primeiro aprendizado que a gente teve

O segundo aprendizado é que, tanto o Uruguai, tanto a Colômbia, desenvolveram plantios muito seguros, que não criam riscos de alguém invadir e subtrair essas plantas. Essas plantas são totalmente rastreáveis. Você tem que ter um processo de rastreamento desde a semente até o produto final, em toda a cadeia, para que não saia do controle. Então, quem operar, terá que fornecer todas as informações sobre o uso de sementes das plantas, depois das folhas, da extração do óleo, do produto final, até o consumidor.

Outro aprendizado é que tem um tipo de planta que não tem efeitos psicotrópicos, psicoativos. Essas plantas podem ser utilizadas como cosméticos e para fins industriais, cujo controle é menor.

Outro aprendizado, no Uruguai, é que, mesmo depois de autorizada a produção de medicamentos, as associações cumprem uma função de garantir amplo acesso a todos os usuários.

CC: E o uso recreativo?

PT: Nós não estamos trabalhando com o uso recreativo, somente com o medicinal. No Uruguai, eles regulamentaram também o uso recreativo, e há oferta de cannabis nas farmácias para usuários cadastrados.

CC: Essa não é uma possibilidade para a regulação no Brasil?

PT: Não estamos trabalhando com esse objeto, a comissão está trabalhando única e exclusivamente com o uso medicinal.

CC: Depois dessas viagens, os deputados devem propor uma regulação para o Brasil. O que deve entrar no texto?

PT: Para o Brasil, o ideal, para uso medicinal, eu reforço, é que seja tão abrangente, que permita a produção de medicamentos no Brasil, com uma indústria farmacêutica forte, que permita a pesquisa científica, o plantio, o uso para a produção de cosméticos, o uso para fins veterinários, a oferta por farmácias de manipulação

“A vivência dos parlamentares com os pacientes com progresso cria um clima favorável à aprovação no Congresso Nacional”, diz deputado.

CC: Como está o clima no Congresso Nacional para aprovar este texto?

PT: O sentimento nosso é que a vivência dos parlamentares com os pacientes que estão conseguindo grande progresso em seus tratamentos cria um clima muito favorável à aprovação no Congresso Nacional. Quer dizer, hoje, o uso médico é tão reconhecido como eficaz que os parlamentares passaram a aprovar. É uma minoria que tem oposição a essas ideias que eu trouxe.

CC: O senhor já chegou a conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia?

PT: O presidente da Câmara é favorável a uma regulação abrangente, que permita o plantio no Brasil.

CC: Acha que vai haver resistência por parte do governo?

PT: Olha, o governo já demonstrou resistência já na aprovação dessa regulamentação [da Anvisa]. Essa regulamentação era para ter sido ampla, só não foi porque o governo acabou atuando e impedindo uma regulamentação mais abrangente. É por isso que se justifica a comissão, que pode suprir essa falha que se deu por conta de uma visão ideológica

CC: Quando essa regulação deve ser apresentada?

PT: Nós estamos planejando apresentar essa proposta no mês de abril. Temos uma viagem agora para João Pessoa (PE), porque lá tem uma associação que funciona com uma liminar, e ela planta. E é uma associação que, hoje, tem cumprido um papel importante no Brasil, porque muitos pacientes que precisam de extrato, conseguem a partir da atuação dessa associação. Ela se chama Abrace.

Acho que será a última viagem da comissão. E aí temos mais quatro audiências públicas no mês de março. Depois, vamos nos debruçar sobre o melhor relatório para a comissão e negociá-lo para aprovação.

Carta Capital

Idec cobra Anvisa após vazamento de dados de pacientes que usam canabidiol

O Idec, ONG de Defesa do Consumidor, oficiou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por conta do vazamento de dados pessoais sensíveis de usuários cadastrados na agência para uso de medicamentos a base de canabidiol. O vazamento ocorreu após um comunicado virtual da agência ter sido enviado por e-mail sem incluir os endereços eletrônicos de usuários e profissionais de saúde em cópia oculta.

No documento encaminhado à agência, o Idec questiona quais medidas foram tomadas para reduzir os efeitos negativos para os usuários do medicamento que tiveram seus nomes divulgados, bem como pede informações sobre sua estratégia para adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

“Estamos a poucos meses da entrada em vigor da LGPD e um vazamento como esse, fruto da evidente falta de cultura de proteção de dados, demonstra que não apenas as empresas, mas também o poder público, ainda têm uma longa lista de tarefas a fazer para se adequarem à legislação que tem o objetivo de proteger os dados pessoais e a intimidade de todos brasileiros”, alerta o coordenador do programa de Direitos Digitais do Idec, Diogo Moyses.

De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa n. 335, de 2020, a importação de medicamentos a base de canabidiol deve necessariamente ser realizada por via de cadastro junto ao governo federal, ficando a agência responsável por executar as atividades atribuídas ao Estado no procedimento de importação. 

Mas em um comunicado a quem solicitou a importação do medicamento, os dados de aproximadamente 1.900 pessoas foram expostos e seus nomes relacionados ao uso deste medicamento controlado. O canabidiol é um composto químico encontrado na cannabis sativa, planta conhecida popularmente como maconha, que pode ser utilizado no tratamento de diversas doenças e dores crônicas, especialmente associados ao sistema neurológico. 

No ofício, o Idec destaca que “não se pode ignorar o estigma que o uso de medicamentos a base de canabidiol ainda carrega no país, decorrente da desinformação generalizada acerca das propriedades terapêuticas e segurança da substância, o que coloca seus usuários em situação ainda mais vulnerável e sob risco de diversas formas de discriminação”.

Idec

 

Hmib é referência no tratamento de epilepsia com dieta cetogênica

O Distrito Federal (DF) é referência no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de crianças epilépticas por meio de dieta cetogênica. As crises de epilepsia da pequena K.T. , de quatro anos, fizeram com que sua mãe se mudasse do Maranhão para o Distrito Federal em busca de uma cura. O destino escolhido não foi por acaso.

Este é o único serviço do tipo no Centro-Oeste e é oferecido no Ambulatório de Dieta Cetogênica do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). O tratamento consiste na prescrição de um cardápio com alimentação rica em gorduras, pobre em carboidratos, acompanhado de proteínas. Com a dieta, é possível reduzir em mais de 50% as crises e, como no caso de K., pode levar à cura.

“Antes da dieta cetogênica, ela tinha muitas convulsões e não andava direito. Em dois anos de acompanhamento, K. melhorou muito. Está interagindo mais, tem uma nova disposição. Apesar da vinda para o DF ter sido uma grande mudança em nossas vidas, valeu a pena”, conta Lucilene, mãe da pequena.

As melhorias ocorrem porque a dieta promove uma troca de combustível no corpo, que normalmente utiliza glicose e passa a usar gordura como fonte de energia. Se pouco carboidrato permanece na dieta, o fígado converte a gordura nos chamados corpos cetônicos. O número elevado deles no organismo leva à redução da frequência de convulsões epilépticas nos pacientes.

Desde que o ambulatório passou a funcionar, em 2016, 47 crianças foram submetidas à terapia. Entre elas, o pequeno M. que começou a dieta quando tinha pouco mais de dois anos. Ele sofria mais de 100 convulsões por dia, devido à falta de oxigenação durante o nascimento. Passou por diversos exames e medicamentos, incluindo tratamentos em São Paulo. Só conseguiu melhorar depois de ser atendido no Hmib.

“Mateus tem outra vida hoje”, afirma sua mãe, a professora S.L. Ao conhecer sobre a dieta cetogênica, em uma palestra no Hmib, ela decidiu reduzir carboidratos e açúcares da dieta do filho. S. lembra que quando conseguiu marcar a consulta no ambulatório do hospital, em pouco mais de uma semana M. parou de ter convulsões. Depois disso, ele ficou três meses direto sem convulsões, algo inédito para a criança.

“Elas começaram quando ele tinha três meses de idade, e até então não paravam. A minha vida era por conta dele. Mas ele melhorou muito nesse tempo que é acompanhado aqui. Hoje, dorme melhor, tem disposição, não é mais apático e não tem mais convulsões. Foi uma revolução nas nossas vidas”, relata, emocionada.

Difícil controle

A coordenadora do Ambulatório de Dieta Cetogênica do Hmib, Ludmila Uchoa, explica que tratamento é utilizado em pacientes com epilepsias de difícil controle. Ou seja, que não melhoram com o uso de medicamento. Entre os principais alimentos utilizados estão creme de leite, bacon, ovos, azeite, verduras e legumes. “O DF é uns dos poucos que fornece uma fórmula pronta para dieta cetogênica. Recebemos vários pacientes de outros estados. Muitos deles da Bahia”, informou Uchoa.

Qualquer criança pode ter acesso ao serviço, desde que encaminhada pelo neuropediatra assistente. A indicação é para epilepsia refratária, de pacientes que não responderam a medicação e sem possibilidade de tratamento cirúrgico. No ambulatório, a criança é acompanhada por um neuropediatra e uma nutricionista. Ambos sabem manejar os possíveis efeitos colaterais da dieta.

Segundo a nutricionista Giselle Xavier, o atendimento multidisciplinar é uma das principais chaves para alcançar os resultados positivos trazidos com o serviço. “A neuropediatra faz toda a avaliação da parte medicamentosa, da evolução da epilepsia e das crises convulsivas. A nutrição vem com a parte da dieta”, explicou.

O atendimento no ambulatório ocorre toda quarta-feira, das 13h às 18h. O acesso ao serviço começa na unidade básica de saúde (UBS) mais próxima da residência do paciente.

Epilepsia

É uma doença que provoca convulsões recorrentes. Acomete em torno de 50 milhões de pessoas no mundo. No Brasil há 3 milhões de pacientes sofrendo com os sintomas da doença, mais frequentes na infância. A epilepsia deve ser tratada assim que for diagnosticada. O tipo de crise é o que define a melhor opção terapêutica.

Com informações da Agência Brasília

Reunião da Associação Mineira de Amigos e de Pessoas com Epilepsia

ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE AMIGOS E DE PESSOAS COM EPILEPSIA – Amae

Epilepsia – Vamos falar sobre isto?

18 de fevereiro – terça-feira De 19hs as  21hs

Pauta:

o   Apresentação de novos membros e convidados.

o   Realização da palestra para equipe do Programa Superar realizada pela Profa. Juliana Tavares coordenadora da Agere/Liga com participação Amae

o   Organização para evento de comemoração do Dia 26 de março – Dia Roxo ou Purple Day; Dia Internacional da Epilepsia. Parcerias: PBH, Programa Agere/Liga Acadêmica de Epilepsia, Epibrasil, Liga Brasileira de Epilepsia, NATE e Bora Cantar.

o   Informes sobre a audiência pública na ALMG – Doenças Raras e comorbidades.

o   Projeto de lei federal PL 5538/2019 do Deputado Ruy Carneiro que necessita de revisão.

o   Depoimentos e troca de experiências entre os participantes.

o   Informes gerais.

Local: Avenida Nossa Senhora de Fátima 2283 Carlos Prates BH Programa SUPERAR nos fundos da UMEI Carlos Prates em frente ao Lava Jato.

De metrô: Ir até a estação da Praça da Estação, pegar metrô sentido Carlos Prates e Padre Eustáquio. Descer na Estação Carlos Prates. A Avenida Nossa Senhora de Fátima fica á direita. Tem um sacolão em frente. Seguir em frente e ao atravessar a trincheira verá um Posto de Combustível. Fica a alguns metros depois (nos fundos da UMEI Carlos Prates)

Ônibus 4107 ou 4108 ou outro que passe na Av. Pedro II. Descer próximo à Rua Jaguari e a um Posto de Combustível.

 

Belo Horizonte, 16 de fevereiro de 2019.

  Denise Martins Ferreira

  Presidente da Associação Mineira de

  Amigos e de Pessoas com Epilepsia

Sanofi é indiciada por fraude em processo de antiepiléptico

A gigante farmacêutica francesa Sanofi virou réu no processo do remédio antiepiléptico Depakine (vendido no Brasil como Depakene ou Valpakine). A empresa foi acusada de “fraude qualificada” e “lesões culposas” em um escândalo sanitário que já dura anos.

O antiepiléptico, que tem como princípio ativo o ácido valproico, é considerado uma droga de referência para alguns pacientes com epilepsia. Ele também é utilizado no tratamento de pacientes com transtorno bipolar. Mas quando tomado por mulheres grávidas, os bebês dessas pacientes têm 40% de chances de apresentar autismo e má-formações neurológicas congênitas.

No entanto, milhares de famílias acusam a Sanofi de não informar as mulheres grávidas do alto risco do medicamento para os fetos. O processo foi aberto pela Justiça francesa em setembro de 2016.

Milhares de vítimas

Um estudo feito por autoridades sanitárias francesas em 2017 estima que, entre 1967 e 2016, 2.150 e 4.100 crianças nasceram com má-formações congênitas devido à exposição ao remédio.

Em junho de 2018, o remédio foi contraindicado para todas mulheres em idade fértil, exceto em situações excepcionais.

A presidente da associação de famílias que deu início ao processo, Marine Martin, disse estar satisfeita com a sequência do processo. “Sanofi deverá se explicar às dezenas de milhares de vítimas envenenadas.”

O laboratório, por sua vez, disse que processo permitirá “mostrar que a empresa respeitou sua obrigação e demonstrou transparência” ao longo de todo o caso.

Fonte: RFI