Comissão de Saúde da Câmara do DF aprova distribuição de remédios à base de canabidiol

A Comissão de Saúde, Educação e Cultura da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou na tarde de ontem (17) o projeto de lei nº 778/19. A proposição trata da política de fornecimento gratuito de medicamentos produzidos à base de substâncias canabinoides pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa do deputado Delmasso (Republicanos) especifica as composições das substâncias da medicação e os órgãos responsáveis pela regulamentação.

Extraído da Cannabis sativa, o canabidiol é uma substância não psicoativa, que apresenta propriedades medicinais e é usada, entre outros, no tratamento de convulsões e epilepsia. As descobertas acerca da efetividade do uso de CBD como medicamento são, relativamente, recentes, o que faz com que seu uso e importação ainda não sejam totalmente regularizados. Em 2014, o Conselho Federal de Medicina autorizou que psiquiatras, neurologistas e neurocirurgiões prescrevam o canabinoide para terapia e, em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deixou de considerar seu princípio ativo como proibido.

Os objetivos do PL são diagnosticar e tratar pessoas com doenças cujo uso de derivados da Cannabis – inclusive o psicoativo tetrahidrocanabidiol, seja comprovadamente eficaz e promover políticas públicas por meio de palestras, fóruns, cursos de capacitação e debates para fornecer informações a respeito do tema. As quantidades de canabinoides presentes nas composições dos remédios teriam, obrigatoriamente, que atender às especificações técnicas da Anvisa. A fiscalização no DF seria realizada pela Secretaria de Saúde. Além da distribuição gratuita pelo SUS, o órgão também ficaria responsável por criar um cadastro, válido por um ano, de pacientes interessados nesse tratamento e avaliá-los mediante a apresentação de laudo e prescrição médica.

Na justificação da matéria, Delmasso observa que há preconceitos no debate acerca do tema. “A polêmica não vem de hoje. Embora a humanidade conviva com a Cannabis sativa há milênios e centenas de estudos sobre suas propriedades já tenham sido publicados, o assunto continua tabu. A substância é uma das mais de 50 ativas na planta e não tem efeito psicotrópico, ou seja, não provoca alterações da percepção em quem usa. E, ainda que por lei estejam previstos o cultivo e o uso para fins medicinais e científicos, não há no país regulamentação para o uso medicinal da planta, e na prática não há regras claras para definir em que condições ela pode ser manipulada”, explicou.

Em seu parecer, o relator da proposição, o deputado Jorge Viana (Podemos), reiterou as afirmações de Delmasso e citou uma entrevista do Diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Em uma simples pesquisa, é possível obter vários estudos e revisões bibliográficas das universidades brasileiras sobre a produção e aplicabilidades da Cannabis. Há um apelo pela liberação da nova droga medicinal, que já vem movimentando vários grupos da sociedade e as políticas de estado. Onde os entraves do preconceito poderão ser discutidos e desmistificados e a aplicabilidade elucidada”, como explicou Elisaldo Carlini, em entrevista à CNN Brasil.

O relator enfatizou que o PL não propõe a liberação de uma droga e nem propõe uso adulto de uma substância isolada, mas, sim, ofertar “uma opção de tratamento àqueles pacientes que os médicos julgarem sem respostas aos medicamentos tradicionais”, concluiu o parlamentar .

Ao todo, 23 projetos de lei e 25 indicações foram aprovados na reunião de hoje, onde estiveram presentes os deputados Arlete Sampaio (PT), Delmasso (Republicanos), Delegado Fernando Fernandes (PROS), Jorge Viana (Podemos) e Prof. Reginaldo Veras (PDT).

Fonte: CLDF

TRF confirma pedido do MPF e determina inclusão no SUS de medicamentos à base de cannabis registrados pela Anvisa

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) confirmou pedido do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que a União inclua medicamentos à base de Cannabidiol (CBD) e Tetraidrocanabinol (THC) – substâncias provenientes da planta Cannabis sativa –, já registrados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), na lista de fármacos ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tribunal indeferiu recurso que a União ajuizou contra a mesma determinação em sentença da Justiça Federal (1ª instância) de fevereiro de 2019.

Pela decisão, a União deve, ainda, providenciar a incorporação no SUS de outros medicamentos à base de CBD ou THC que venham a ser registrados, além de efetuar o regular oferecimento à população, com devida prescrição e relatório médico, desde que as alternativas atualmente disponibilizadas pelo SUS para enfermidade não surtam efeitos no paciente.

O TRF-1 manteve, ainda, as decisões de 1ª instância em outras duas ações movidas pelo MPF na Justiça Federal em Eunápolis, que determinam que a União deve garantir o tratamento com base nestes fármacos para dois pacientes, especificamente; um deles portador de epilepsia refratária de difícil controle e a outra, de Transtorno do Espectro Autista com apresentação de crises convulsivas.

As informações são do Ministério Público Federal.

Fonte: CGN

Live: Rodas de conversa online sobre epilepsias

Dia 28 de julho ás 20H
 
 
Revista histórica:
 
 
Criação da Federação Brasileira de Epilepsia: EpiBrasil
 
 
Participantes:
 
 
Veviane Spergue
 
Neuropsicóloga e presidente da EpiBrasil
 
 
Dr. Li Li Min
 
Neurocientista e embaixador da epilepsia no Brasil

Dia 29 de julho as 20H
 
 
Mercado Formal de Trabalho para pessoa com epilepsia
 
 
 
Participantes;
 
 
Patrícica Siqueira
 
 
Auditora fiscal do trabalho e coordenadora do projeto de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho – SRT/MG
 
 
Denise Martins Ferreira
 
 
Psicóloga e presidente da Associação Mineira de Amigos e Pessoas com Epilepsia – Amae
Dia 30 de julho ás 20H
 
 
 
Crise epilética x Crise psicogênica
 
 
 
Participantes:
 
 
 
Dr. Guilherme Simone Mendonça
 
 
Neurologista especialista em epilepsia e Medicina do sono
 
 
 
Walter Fiuza
 
Interino de medicina e membro da EpiBrasil
 
 
 
 
 
Todas as lives serão transmitidas pelo instagran da Federação Brasileira de Epilepsia: EpiBrasil 

Síndrome de Dravet: que doença rara é esta?

O Síndrome de Dravet é uma encefalopatia epiléptica rara, caracterizada por crises epilépticas de difícil controlo com início no 1º ano de vida.

Numa fase inicial, são tipicamente desencadeadas por hipertermia mas, mais tarde, ocorrem também em apirexia. Estas crises são de vários tipos (focais e generalizadas), prolongadas, refratárias a fármacos antiepilépticos, e podem evoluir para estados de mal epiléptico.

O atraso no desenvolvimento psicomotor começa a ser observado a partir do segundo ano de vida, geralmente por atraso da linguagem e da marcha. Mais tarde, são evidentes os problemas cognitivos, comportamentais e motores.

As perturbações do sono são frequentes, mais do que em outros síndromes epilépticos, exacerbando os problemas comportamentais e cognitivos e com consequente impacto negativo na qualidade de vida dos doentes e dos seus cuidadores.

Este síndrome também está associado a uma alta taxa de mortalidade, nomeadamente a um aumento de morte súbita relacionada com a epilepsia (SUDEP) que, tipicamente, ocorre durante o sono.

Cerca de 80% dos pacientes apresentam mutações no gene SCN1A que codifica a subunidade do canal de sódio dependente de voltagem tipo 1 (Nav 1.1), sendo na sua maioria mutações de novo. Esta haploinsuficiência afeta os neurónios GABAérgicos em várias regiões do sistema nervoso central, sendo responsável pelas manifestações clínicas da doença.

A abordagem destes doentes tem que ser multidisciplinar, envolvendo neuropediatras, neurologistas de adultos e outros especialistas e terapeutas, com o objetivo de optimizar a sua qualidade de vida.

No entanto, ainda não existe cura para esta doença. Vários fármacos têm sido utilizados para diminuir a frequência das crises epilépticas e para tentar reduzir os problemas cognitivos e comportamentais associados.

O futuro passará por uma terapêutica genética dirigida à causa da doença (expressão do gene SCNA1 / modulação de Nav 1.1), tendo já surgido os primeiros ensaios clínicos.

Algoritmo de rede cerebral pode ajudar no combate a epilepsia

Atualmente, o tratamento de pacientes epilépticos é visto com muita cautela pela comunidade médica, já que a impossibilidade de prever, em muitas casos, sua ocorrência, além da discriminação das causas, torna a avaliação ainda mais delicada e sutil mesmo para especialistas da área. Com sintomas irregulares que podem surgir poucos instantes ou, até mesmo, semanas antes de uma crise, a necessidade de investir em estudos e pesquisas surge como algo imprescindível para o combate à epilepsia.
Cientistas e pesquisadores do Centro de Neurociência de Sistemas da Universidade de Boston e do Hospital Geral de Massachusetts, então, iniciaram um estudo alternativo aos medicamentos, já que cerca de um terço dos pacientes não respondem com eficácia à utilização de remédios, e à cirurgia de resseção, que consiste na remoção de uma seção do tecido cerebral para corrigir as convulsões.
O novo projeto de combate à crise epiléptica tem como base a análise e o conhecimento do funcionamento da rede cerebral humana, onde todos os dados de conexões e mapeamento da atividade neurológica serão extraídos para facilitar o entendimento das áreas do cérebro e o comportamento de como suas comunicações são estabelecidas, assim como ocorre seu trabalho coletivo na determinação e no padrão das crises epilépticas.

A tecnologia favorecendo a biologia

Diversos pesquisadores das áreas clínicas e da análise de dados se uniram, então, para tentar desmembrar as informações retidas no cérebro através da utilização de eletrodos, processo realizado em procedimentos pré-cirúrgicos de resseção, quando cerca de 80 eletrodos são instalados no cérebro do paciente para detectar o comportamento cerebral local.
“Criamos uma metodologia que nos ajudou a extrair o que chamamos de ‘comunidades dinâmicas’ desses dados”, disse Eric Kolaczyk, diretor do Rafik B. Hariri Instituto de Computação e Ciência e Engenharia da Computação. “Isso, por sua vez, permite visualizar e analisar como essas redes mudam ao longo do tempo. A epilepsia é tradicionalmente considerada um evento em que o cérebro trava e todas as regiões estão trabalhando juntas. Descobrimos que há um processo mais matizado.”
Dessa forma, cada eletrodo é responsável por mapear a região cerebral a qual está relacionado, podendo rastrear padrões de comunicação através de um algoritmo especializado, em uma tarefa complexa de mapeamento onde sequências de até 80.000 redes podem ser encontradas em 24 horas de exames.
A “comunidade dinâmica”, então, poderá surgir como um dos grandes determinantes para o tratamento de crises epilépticas e para sua consequente prevenção.
Fonte: Mega Curioso

A brasileira que comanda a 1ª empresa autorizada a vender maconha medicinal no Brasil

Em 2014, o documentário “Ilegal” chegou aos cinemas contando a história de famílias que lutavam para conseguir importar medicamentos à base de canabidiol (CBD), um componente sem efeitos psicoativos extraído da cannabis – a planta da maconha – e que é de grande ajuda no tratamento de síndromes de epilepsia.

Na época, o mercado de “maconha medicinal”, como é chamado, ainda engatinhava nos Estados Unidos e era um enorme tabu no Brasil. O lançamento do filme, porém, trouxe mudanças ao cenário e também para a vida da jornalista fluminense Caroline Heinz.

Ex-produtora da TV Globo, hoje ela é CEO global da HempMeds, um dos braços do grupo Medical Marijuana Inc., a primeira empresa de remédios à base de cannabis a abrir capital nos EUA. A HempMeds é também a primeira a conseguir autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para vender seus medicamentos no Brasil.

Caroline entrou na HempMeds como assistente de comunicação e, em menos de cinco anos, chegou ao cargo mais alto da empresa como diretora-executiva, em junho de 2020. A ascensão meteórica da brasileira combina com a própria história da companhia no Brasil.

Tudo começou quando a HempMeds, uma startup recém-nascida e com poucos funcionários americanos, teve que se virar para atender à crescente demanda de brasileiros querendo importar o RSH Oil, medicamento contra crises convulsivas mostrado no filme “Ilegal”.

A barreira do idioma foi aos poucos contornada pela entrada de mais e mais brasileiros – entre os primeiros deles, Caroline, que precisou dos medicamentos da empresa em um tratamento nos EUA para a remoção de células pré-cancerosas no colo do útero. A startup existia há apenas três meses quando ela chegou.

De assistente de marketing, Caroline foi para o setor de vendas, depois foi promovida a diretora de marketing e vendas, diretora de operações, vice-presidente e, desde o início da pandemia de coronavírus, CEO da empresa que tem escritórios em cinco países e que vende para o mundo todo.

Hoje ela trabalha na Califórnia, um dos primeiros estados norte-americanos a regularizar não só a produção e a venda de medicamentos à base de canabidiol, mas também o uso recreativo da maconha.

Foi por causa do RSH Oil produzido e vendido pela HempMeds e a história de uma das clientes da empresa, Katiele Bortoli Fischer, contada em “Ilegal”, que a Anvisa emitiu em 2015 a primeira resolução brasileira autorizando e determinando regras para a importação de canabidiol ao Brasil, um marco na luta pela regulamentação da maconha medicinal no País.

Em 2019, liderada por Caroline, a HempMeds começou uma nova campanha junto ao governo brasileiro para flexibilizar ainda mais as regras. O esforço culminou em uma nova resolução da Anvisa, emitida em março de 2020, que libera a venda de CBD em farmácias.

Ascensão meteórica

De assistente de marketing a CEO em seis anos pode parecer um piscar de olhos. Mas no caso de Caroline, alguns disseram que a promoção demorou. “Quando eu fui promovida a vice-presidente, me falaram ‘você não tinha que ser VP, tinha que ser CEO logo'”, ela diz, em entrevista ao Yahoo.

“Eu fiquei grávida logo após entrar na HempMeds, em 2016. Imagina, você é imigrante, ainda não tem o inglês perfeito, grávida… ‘minha carreira acabou por aqui’, eu pensei. Mas a Medical Marijuana Inc. é uma empresa que tem seus core values [valores centrais].”

Parte da explicação para o sucesso de Caroline na empresa é sua dedicação intensa – muitas vezes ignorando o horário de trabalho. “Eu estava indo parir a minha filha, na sala de cirurgia, no telefone, falando com mãe aqui e ali. Elas falavam ‘sai desse telefone, vai parir!’. Trabalho 24 horas, sábado e domingo”, ela diz, entusiasmada.

“Quando você é muito dedicado assim, o resultado fica claro. E os Estados Unidos é um país regido por meritocracia. Se você está ali dando resultado e dedicação, não tem outro caminho que não seja esse. É completamente diferente [do Brasil]. Eu achei que nunca ia passar na Globo, fiz seis entrevistas. Seis. Um processo seletivo absurdo.”

Nova chefe

Como uma das poucas representantes femininas entre as CEOs do mercado de cannabis dos EUA, Caroline diz que traz para o cargo a sua paciência – que ela crê ser uma virtude tipicamente feminina – e a identificação com as duas pontas da cadeia produtiva: as mães que a empresa atende e as mulheres que são maioria em muitas fazendas de cânhamo que fornecem a matéria-prima da HempMeds.

Logo que assumiu a posição, Caroline já impôs uma reformulação na estrutura hierárquica da companhia, trocando a organização vertical de funções por um esquema de trabalho mais horizontal, sem tantos gargalos e com mais colaboração entre diferentes setores.

A nova chefe também redistribuiu cargos, tentando explorar as melhores habilidades de cada profissional em posições que as valorizem. A ideia foi trazer à empresa um estilo de liderança mais moderno para combinar com um mercado tão jovem quanto o de cannabis.

Pensando em sua terra-natal, Caroline se diz otimista sobre o futuro da cannabis medicinal. “O Brasil é um país super conservador, e antes de 2014 ninguém sabia o que era CBD. Se você pensar que a gente está aqui, seis anos depois, com medicamentos entrando nas farmácias, eu acho que foi um avanço bem rápido.”

Fonte: Yahoo finanças

 

 

Ouvir este compositor reduz frequência de crises epiléticas, diz estudo

Há cerca de 20 anos, a ciência descobriu pela primeira vez que a música de Mozart pode ter efeitos positivos em pacientes com epilepsia. Agora, num estudo publicado na Epilepsia Open, investigadores do Toronto Western Hospital vão mais além.

Os autores Marjan Rafiee e Taufik Valiante analisaram os efeitos da melodia de Mozart, ‘Sonata para dois pianos em ré maior, K. 448’ na redução de convulsões, em comparação com outro estímulo auditivo – uma versão embaralhada da composição original de Mozart, com características matemáticas semelhantes, mas misturadas aleatoriamente e sem qualquer ritmo.

“Nos últimos 15 a 20 anos, aprendemos muito sobre o efeito de uma das composições de Mozart na redução da frequência de crises em indivíduos com epilepsia”, diz Marjan Rafiee, citado pela Science Daily. “Mas, uma das perguntas que ainda estava por responder era se os indivíduos mostrariam uma redução semelhante na frequência de crises, ouvindo outro estímulo auditivo – uma peça de controle – em comparação com Mozart”.

Para descobrir, os investigadores recrutaram treze pacientes para participar neste novo estudo, com a duração de um ano. Após três meses do período de referência, metade dos pacientes ouvia a Sonata de Mozart uma vez ao dia, depois, nos seguintes três meses, passavam para a versão codificada. A outra metade, iniciou a intervenção ouvindo a versão codificada durante três meses e, depois, Mozart.

Durante este período, os pacientes mantiveram um ‘diário de convulsões” para documentar a frequência das crises. Os medicamentos foram mantidos inalterados durante o estudo.

Usando os dados dos ‘diários de convulsões’, os investigadores chegaram à conclusão que os pacientes sofreram menos convulsões durante o período em que ouviam a ‘Sonata para dois pianos em ré maior, K. 448’.

Fonte: Noticias ao Minuto

Jornada on-line sobre epilepsia trará experts para 14 dias de debates

Começou nesta segunda-feira, 1 de junho, a Jornada Asas da Liberdade, que promoverá 14 dias seguidos de lives sobre epilepsia. O fisitorapeuta Igor Tagore, anfitrião do evento, conta que a ideia é apresentar os mais atuais tratamentos na área e derrubar mitos sobre a doença, enfrentando preconceitos que ainda persistem contra as pessoas que vivem com epilepsia. Temáticas transversais, como fisioterapia, dietas, direitos sociais e mobilização também deverão ser discutidos.
“Serão 14 dias de evento on-line e gratuito. Esclarecemos dúvidas sobre sintomas, tratamentos, redução de crises, entre outros assuntos relevantes com médicos e outros especialistas. Traremos experts nas mais diversas áreas para falar conosco de epilepsia”, conta o anfitrião.
A jornada é promovida pela empresa Epilepsia360, que atua na área científico-educacional, e tem o apoio da organização não governamental Iluminando a Vida, entidade que atua no auxílio a pacientes com a doença. “Foi para fazer um pouco mais pelas pessoas com epilepsia e mobilizar a sociedade que criamos a jornada Asas da Liberdade”, diz Igor.
Canabidiol
Entre os temas que serão tratados na jornada está o canabidiol. A substância, que não é psicoativa, tem sido uma importante aliada no controle das crises causadas pela epilepsia.
Igor, que estuda o canabidiol há algum tempo, explica que o cérebro humano e algumas outras regiões do corpo apresentam receptores para a substância. “Esses receptores utilizam um sistema que é chamado de endocanabinoide, que está em diversos tecidos, realizando um efeito modulatório sobre cada região. E isso é muito promissor do ponto de vista neurocientífico porque o que a gente tem mostrado hoje é que derivados da canabis que já estão sendo estudados não competem com os demais medicamentos. Do contrário, tem sido vista a diminuição da quantidade das medicações ou do número de medicamentos usados pelos pacientes que adotam o canabidiol”.
O anfitrião da jornada informa que existem hoje mais de 20 medicamentos para epilepsia no mundo e muitos deles não podem ser usados juntos com outras drogas porque elas competem na ação, “como se você estivesse dando mais do mesmo para o paciente”. Com os derivados da canabis isso não acontece. “O CBD, que é a sigla para canabidiol, tem sua área de atuação”, destaca Igor. Em outras palavras, “o paciente estará usando um medicamento que já tem o sistema próprio, que já existe naturalmente, e esse medicamento não fica competindo com os outros que a pessoa já toma”.
O CBD tem demonstrado um potente efeito anti-inflamatório no organismo e também um efeito redutor de morte celular. “Ele previne a célula de morrer durante uma crise epilética ou um acidente vascular cerebral, embora isso ainda não esteja bem estabelecido para uso, mas experimentos têm mostrado isso. É um medicamento promissor, que tem demonstrado ótimos resultados, inclusive sobre outras doenças têm sido visto crescentes relatos positivos”, explica o fisioterapeuta.
Cirurgias
A epilepsia acomete 1,5% da população brasileira, o equivalente a 3 milhões de habitantes. Desses 3 milhões de brasileiros, 60% podem ser tratados com medicação e 40% terão que fazer cirurgia ou tratamento não medicamentoso. Ou seja, não há dúvidas de que a epilepsia é uma questão de saúde pública, que merece a devida atenção. E a garantia de cirurgias para os que delas precisam é fundamental, diz Igor.
Ele conta que a primeira cirurgia de epilepsia e também a primeira cirurgia de neuromodulação para epilepsia do Norte foi feita em 2013 pelo neurocirurgião Francinaldo Gomes, que já confirmou participação nas lives da Jornada Assas da Liberdade. Expert em neurocirurgia de epilepsia, Francinaldo falará sobre os vários aspectos da doença e da luta em favor das pessoas que vivem com epilepsia, que necessitam de tratamento adequado, seja medicamentoso, seja cirúrgico.
Inclusão
 
Fundamental, também, será o debate sobre inclusão. “É necessário desmistificar a doença, mostrar que viver com epilepsia com qualidade de vida é possível. As pessoas com epilepsia podem e merecem vida plena”, afirma Igor.
Ativistas da causa das pessoas com epilepsia, integrantes de entidades que atuam nas várias áreas também participarão das lives. “Teremos a participação de integrantes da ONG Iluminando a Vida, de Belém do Pará, e da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), entre outras entidades, que constituem uma rede de apoio à pessoa com epilepsia”, adianta Igor Tagore.
Ele explica que não se pode falar para pessoas que vivem com epilepsia sem considerar vários aspectos, que vão além da medicação e da cirurgia: “É preciso falar de educação, de apoio psicológico, de assistência social, de direitos legais, enfim, é preciso falar de vida. Escolhemos esse nome para a nossa jornada porque efetivamente queremos ajudar as pessoas que sofrem com a doença a encontrar a liberdade e para isso é preciso reunir esforços para encontrar alternativas de tratamento e acolhimento”.
SAIBA MAIS:
 
A Jornada Asas da Liberdade começa nesta segunda-feira, 1, com lives sempre a partir das 19h57 no Instagram @epilepsia360. Os participantes poderão interagir com os convidados durantes as lives e nos grupos de WhatsApp para os que se inscreverem.
O link para inscrição é http://go.epilepsia360.com.br/asas-da-liberdade
Fonte: Terra

Falta de olfato, AVC, epilepsia: novos sintomas ligados à covid-19

A elevada prevalência de sintomas neurológicos em pacientes acometidos pelo coronavírus na China levou pesquisadores da USP e da Universidade da Região de Joinville (Univille) a fazer uma revisão não sistemática de alguns artigos publicados recentemente em revistas científicas. O estudo, ainda não revisado por outros cientistas, está disponível desde abril na plataforma preprints.org.

As complicações observadas atingem o sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal) e o sistema nervoso periférico (gânglios e nervos). A anosmia (perda da percepção de cheiro) e a disgeusia (diminuição do paladar) foram frequentemente relatadas por pessoas com a covid-19. “A série de casos relatados pelos chineses mostra que a prevalência dessas patologias é muito maior do que se achava em 2019”, conta ao “Jornal da USP” Marcus Vinícius Magno Gonçalves, neurologista da Univille e o último autor do paper.

A intenção dos cientistas brasileiros com a divulgação desse paper foi chamar a atenção de profissionais de saúde e cientistas. Jean Pierre Schatzmann Peron, coordenador do Laboratório de Interações Neuroimunes do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, está debruçado em tentar entender como o vírus acessa o sistema nervoso central. “A gente se baseia em outros coronavírus humanos, causadores de Síndrome Aguda Respiratória Grave (SARS) e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), que passam de um neurônio a outro até atingir o sistema nervoso central”, explica Peron. “Mas ainda é especulação, pois muito pouco se sabe sobre os mecanismos de ação do SARS-CoV-2.”

Sintomas

Desde o aparecimento dos primeiros casos de covid-19 na China, os principais sintomas relatados são febre, cansaço, tosse seca, febre alta, além de pneumonia e dificuldade para respirar. Porém, com a propagação do vírus pelo mundo, muitas outras manifestações foram relatadas e documentadas nos últimos meses, principalmente sintomas neurológicos, como a perda de olfato e paladar.

Um possível mecanismo de acesso ao sistema nervoso central pelo SARS-Cov-2 é via bulbo olfatório, primeiro nervo craniano responsável por receber informações dos neurônios receptores olfativos. Pode ser esse um alvo de infecção do coronavírus.

O artigo brasileiro cita um estudo publicado por Ling Mao, do Departamento de Neurologia do Union Hospital, afiliado à Faculdade Médica de Tongji da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China. Os pesquisadores analisaram 218 pacientes hospitalizados e diagnosticados com covid-19. Dores de cabeça, tontura, estado confusional, ataxia, doença cerebrovascular aguda e epilepsia apareceram em 24% dos internados. Os dados foram coletados entre 16 de janeiro 2020 e 19 de fevereiro de 2020.

A hiposmia (redução do olfato) também tem chamado a atenção da comunidade médica. Em um estudo europeu publicado em abril de 2020, descreveram disfunções de olfato e paladar cerca de 86% e 88% dos 417 pacientes infectados, respectivamente. Dentre eles, cerca de 13% relataram fantosmia (alucinação olfativa) e 32% tiveram parosmia (qualquer alteração olfativa); de todos os 76 pacientes que não apresentaram obstrução nasal ou rinorreia (corrimento nasal excessivo), quase 80% apresentaram anosmia ou hiposmia. “O que nos intriga é que, de todos os pacientes que tiveram neuropatia olfatória, apenas 40% ficaram curados após 30 dias do início dos sintomas”, afirma Marcus Gonçalves.

Casos mais graves

O que chamou a atenção dos pesquisadores foram pacientes jovens, com menos de 50 anos, que tiveram AVC isquêmico e hemorrágico associado à fisiopatologia do vírus. Curiosamente, os pacientes com problemas no sistema nervoso central foram associados a casos mais graves da doença. Encefalomielites disseminadas agudas (ADEM) também foram relatadas. “É uma doença que acontece após o contato viral; ela faz lesão no encéfalo e na medula espinhal”, explica Gonçalves ao “Jornal da USP”.

Meningites, encefalites e a síndrome de Guillain-Barré foram observadas na coorte chinesa (estudo que analisa um determinado grupo de pessoas durante um longo período de tempo). “Por isso é importante chamarmos a atenção da comunidade científica sobre esses sintomas, pois o médico vai precisar intervir de maneira diferente, já que há essa correlação entre coronavírus e quadros neurológicos”, explica Peron, cujo grande desafio agora é compreender como o sistema imunológico responde a esse tipo de infecção. “Muitos fatores devem influenciar, inclusive a carga viral presente nos pacientes.”

Percepção clínica

Adalberto Studart Neto é neurologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP. Ele está à frente do Grupo de Estudos em Neurocovid, montado recentemente no HC. O médico é cuidadoso ao falar sobre a relação entre neuropatologias e covid-19. “Frequentemente, observamos sintomas neurológicos, mas não sabemos se eles estão direta ou indiretamente relacionados ao vírus”, explica. “Crises epilépticas, por exemplo, podem também ser consequência de distúrbios sistêmicos causados pela tempestade de citocinas que o vírus causa no organismo”, diz o médico ao “Jornal da USP”.

Studart Neto enfatiza que esses distúrbios podem estar correlacionados com o estado clínico dessas pessoas. “Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões, mas as necropsias vão ajudar a comunidade científica a entender o que realmente acontece no organismo de um paciente infectado pelo coronavírus.”

Já Gonçalves, que está participando de um estudo de coorte em Joinville, é mais enfático. “A minha percepção como médico é que vamos ter um grande grupo de pacientes com disfunção cognitiva a médio e longo prazos”, afirma. “Além disso, como parece que há uma perda de neurônios durante a doença, vamos assistir a um aumento da incidência de doenças neuropsiquiátricas.”

Peron vai abrir outra frente de estudo: as consequências da covid-19 na gestação. “Por mais que as mulheres não sejam suscetíveis à infecção, queremos investigar o impacto que o vírus pode causar ao feto”, completa.

Fonte: Terra Ciencia Planeta