Sem o SUS, é a barbárie

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país.

A frase não é minha, mas traduz o que penso. Foi dita por Gonçalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, um dos sanitaristas mais respeitados entre nós, numa mesa-redonda sobre os rumos do SUS, na Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Estou totalmente de acordo com ela, pela simples razão de que pratiquei medicina por 20 anos, antes da existência do SUS.

Talvez você não saiba que, naquela época, apenas os brasileiros com carteira assinada tinham direito à assistência médica pelo antigo INPS. Os demais pagavam pelo atendimento, ou faziam fila na porta de meia dúzia de hospitais públicos espalhados pelo país, ou dependiam da caridade alheia concentrada nas Santas Casas de Misericórdia e em algumas instituições religiosas.

Eram enquadrados na indigência social os trabalhadores informais, os do campo, os desempregados e as mulheres sem maridos com direito ao INPS. As crianças não tinham acesso a pediatras e recebiam uma ou outra vacina em campanhas bissextas organizadas nos centros urbanos, de preferência em períodos eleitorais.

Então, 30 anos atrás, um grupo de visionários ligados à esquerda do espectro político defendeu a ideia de que seria possível criar um sistema que oferecesse saúde gratuita a todos os brasileiros. Parecia divagação de sonhadores.

Ao saber que se movimentavam nos corredores do Parlamento, para convencer deputados e senadores da viabilidade do projeto, achei que levaríamos décadas até dispor de recursos financeiros para a implantação de políticas públicas com tal alcance.

Menosprezei a determinação, o compromisso com a justiça social e a capacidade de convencimento desses precursores. Em 1988, escrevemos na Constituição: “Saúde é direito do cidadão e dever do Estado…”.

Por incrível que pareça, poucos brasileiros sabem que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes, que ousou levar assistência médica gratuita a toda a população.

Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa.

Falamos com admiração dos sistemas de saúde da Suécia, Noruega, Alemanha, Inglaterra, sem lembrar que são países pequenos, organizados, ricos, com tradição de serviços de saúde pública instalados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Sem menosprezá-los, garantir assistência médica a todos em lugares com essas características, é brincadeira de criança perto do desafio de fazê-lo num país continental, com 210 milhões de habitantes, baixo nível educacional, pobreza, miséria e desigualdades regionais e sociais das dimensões das nossas.

Para a maioria dos brasileiros, infelizmente, a imagem do SUS é a do pronto-socorro com macas no corredor, gente sentada no chão e fila de doentes na porta. Tamanha carga de impostos para isso, reclamam todos.

Esquecem que o SUS oferece gratuitamente o maior programa de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo. Nosso programa de distribuição de medicamentos contra a aids revolucionou o tratamento da doença nos cinco continentes. Não percebem que o resgate chamado para socorrer o acidentado é do SUS, nem que a qualidade das transfusões de sangue nos hospitais de luxo é assegurada por ele.

Nossa Estratégia Saúde da Família, com agentes comunitários em equipes multiprofissionais que já atendem de casa em casa 2/3 dos habitantes, é citado pelos técnicos da Organização Mundial da Saúde como um dos importantes do mundo.

Pouquíssimos têm consciência de que o SUS é disparado o maior e o mais democrático programa de distribuição de renda do país. Perto dele, o Bolsa Família não passa de pequena ajuda. Enquanto investimos no SUS cerca de R$ 270 bilhões anuais, o orçamento do Bolsa Família mal chega a 10% desse valor.

Os desafios são imensos. Ainda nem nos livramos das epidemias de doenças infecciosas e parasitárias, já enfrentamos os agravos que ameaçam a sobrevivência dos serviços de saúde pública dos países mais ricos: envelhecimento populacional, obesidade, hipertensão,diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, degenerações neurológicas.

Ao SUS faltam recursos e gestão competente para investi-los de forma que não sejam desperdiçados, desviados pela corrupção ou para atender a interesses paroquiais e, sobretudo, continuidade administrativa. Nos últimos dez anos, tivemos 13 ministros da Saúde.

Apesar das dificuldades, estamos numa situação incomparável à de 30 anos atrás. Devemos defender o SUS e nos orgulhar da existência dele.

Drauzio uol

Twitter tem uma novidade para proteger utilizadores com epilepsia!

O Twitter proibiu todos os PNGs animados (APNGs) na sua plataforma para impedir que os utilizadores mal intencionados utilizem este tipo de imagens para desencadear ataques em pessoas fotossensíveis. É que foi descoberto um bug nesta plataforma que faz com que as proteções que impedem a reprodução automática sejam ignoradas. Isto significa que as imagens deste género começavam a ser reproduzidas, mesmo quando não havia indicação para tal. Agora o Twitter tem algo para proteger os utilizadores com epilepsia!

“Queremos que todos tenham uma experiência segura no Twitter”, afirmou um representante do Twitter num tweet. “Os APNGs eram divertidos, mas não respeitam as configurações de reprodução automática, por isso passámos a impedir a sua adição aos Tweets. Fizemos isto a pensar nas pessoas com sensibilidade ao movimento e imagens intermitentes, incluindo aquelas com epilepsia. ”

Em novembro, que foi o mês nacional de consciencialização acerca da epilepsia, a Epilepsy Foundation revelou que alguns utilizadores do Twitter mencionaram várias vezes imagens a piscar ou estroboscópicas e fizeram-no de forma consciente. Até este momento não sabe quantas pessoas foram afetadas pelos ataques. Embora os ficheiros APNG não tenham sido utilizados, nestas tentativas, o Twitter quis precaver-se de modo a evitar que eles sejam usados desta forma no futuro.

Em 2017, um homem foi acusado de agressão agravada com uma arma mortal depois de enviar a um jornalista que teve epilepsia um tweet contendo um GIF estroboscópico. Kurt Eichenwald teve um ataque epilético de oito minutos depois de ver a mensagem e sofreu efeitos colaterais ao longo de vários meses.

Entretanto, como a maioria das pessoas utiliza GIFs nos seus tweets, é pouco provável que a alteração seja notada pela maioria dos utilizadores. Entretanto, os ficheiros APNG existentes já enviados para a plataforma não serão removidos. O Twitter diz que vai agora tentar arranjar uma funcionalidade semelhante que seja melhor para todos os utilizadores.

Resta-nos agora esperar por mais novidades!

Leak

 

Técnica inovadora. Criança de dois anos operada com sucesso a epilepsia refratária

A criança de dois anos, com um hamartoma hipotalâmico e epilepsia refratária, foi operada na sexta-feira e teve alta dois dias depois, um dia antes do previsto.

Uma criança de dois anos com epilepsia refratária foi submetida, com sucesso, a uma cirurgia inovadora, através de laser, realizada pela primeira vez em Portugal no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

A criança, com um hamartoma (malformação não relacionada com cancro) hipotalâmico e epilepsia refratária, foi operada na passada sexta-feira e teve alta dois dias depois, um dia antes do previsto, disse esta quinta-feira à Lusa Alexandre Campos, o neurocirurgião que realizou a “termoablação por laser”.

Esta técnica permite destruir tecidos doentes no cérebro de forma minimamente invasiva, com taxas de complicações menores e internamentos mais curtos.

No dia seguinte à cirurgia, “a criança parecia que não tinha sido operada”. “Em termos de vitalidade, estava ótima e sem crises”, contou o especialista do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa (CHULN).

Alexandre Campos disse que tem recebido alguma informação da família a dizer que “a criança continua muito bem”. Contudo, ressalvou, o resultado do tratamento tem que ser observado a longo prazo. “Se há complicações nós vemos logo, mas o resultado final, se fica sem crises, tem de se ver ao fim de um, dois, três ou mais anos”, disse, sublinhando que a criança pode nunca mais voltar a ter epilepsia.

Recordando o caso, o neurocirurgião contou que a criança tinha uma lesão malformativa localizada numa zona muito profunda do cérebro junto ao hipotálamo, que é um centro regulador de uma série de funções importantes no cérebro. “Quando estas malformações aparecem podem provocar várias coisas, como uma puberdade precoce“, que se consegue controlar com medicação hormonal, ou uma epilepsia refratária, resistente aos medicamentos.

“Os medicamentos podem ir atenuando as crises, mas a criança continua a tê-las e se continuarem ao longo da vida vai ser prejudicial para o cérebro, porque não vai conseguir desenvolver-se corretamente porque está constantemente com aquelas descargas”, explicou. Alexandre Campos adiantou que este tipo de epilepsia é muito característico porque provoca “um riso descontextualizado e desadequado“.

Ao perceberem que a criança tinha “uma epilepsia fármaco resistente” e que estava com um aumento das crises, com cinco a dez por dia, os médicos decidiram usar esta técnica que foiintroduzida na Europa em março de 2018, existindo atualmente 17 centros na Europa a realizar esta técnica.

“A criança teve uma evolução fantástica” e é “uma técnica minimamente invasiva, portanto, não dá o transtorno de uma abertura do crânio”, vincou o especialista.

Na próxima semana, um jovem de 16 anos vai ser submetido a esta cirurgia, uma vez que já fez um tratamento prévio que reduziu o número de crises, mas não as tratou, avançou o médico que faz parte do Grupo da Cirurgia da Epilepsia, que junta neurocirugiões, neuropediatras, neurologistas e neurorradiologistas.

Todos os anos surgem, em média, cerca de 250 casos de epilepsia refratária: “Um terço dos doentes com epilepsia vão ter sempre crises, apesar da medicação, e nestas vamos ter de avaliar se há ou não outra alternativa, nomeadamente a cirurgia”, disse o médico, estimando que sejam entre 10 a 20% deste terço.

ZAP

Dispositivo tecnológico previne convulsões em pessoas com epilepsia

 

Projeto transforma o encefalograma em um aparelho vestível portátil.

 

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Uma campanha iniciada no financiamento coletivo do Indiegogopromete desenvolver um wearable para monitorar e prever ataques epiléticos, com a meta de trazer mais qualidade de vida para as pessoas que vivem com a doença. A proposta se concentra em transformar o encefalograma (EEG) de um hospital em um dispositivo vestível que se conecta ao celular. O Epilog partiu da premiada empresa Epitel, que pretende mudar a vida de pacientes epiléticos, oferecendo mais segurança para que eles saiam de casa sem precisar temer novos ataques.

A Epitel estipulou a meta inicial de US$ 100 mil (cerca de R$ 424 mil em conversão direta) para viabilizar o projeto, mas ela ainda não foi atingida. Mesmo assim, a empresa já se antecipou e descreveu as metas secundárias caso a primeira seja alcançada.

 

Como funciona

Os pacientes com epilepsia geralmente passam por um tratamento que se baseia no registro dos ataques epiléticos formando um tipo de diário. Assim, é possível mapear os momentos com maior ocorrência e evitá-los. Porém, este trabalho é um tanto arcaico porque depende de papel, caneta e da memória do paciente – que nem sempre está consciente no momento do ataque.

 

O encefalograma tradicional é um capacete com 26 eletrodos ligados por fio a equipamentos pesados. Ele consegue monitorar as ondas cerebrais do paciente para fazer esse mapeamento com mais precisão. Contudo, está limitado aos hospitais. Fora dele, os pacientes retomam ao método antiquado.

O wearable faz basicamente o trabalho de um encefalograma, porém a qualquer hora do dia e em qualquer lugar. Além disso, é bastante discreto e pode ser usado sem causar incômodo algum ao paciente.

Design

O Epilog tem o formato de um pequeno quadrado com um adesivo removível que fixa o aparelho na testa ou abaixo do couro cabeludo. Devido ao tamanho, pode ser levado para qualquer lugar.

Além do dispositivo, o paciente recebe dois adesivos e uma caixa para armazená-lo. A meta secundária inclui a possibilidade do consumidor personalizar a caixinha, mas para isso acontecer, o projeto vai precisar arrecadar US$ 250 mil.

Aplicativo Aura

Por se tratar de um wearable, o dispositivo requer uma conexão com o celular para executar seus recursos. A Epitel desenvolveu para o smartphone um aplicativo que vai permitir ao usuário o acompanhamento de sua atividade cerebral em tempo real. O aplicativo Aura poderá ser baixado tanto em celulares com Android ou com iOS. Entretanto, só ficará disponível caso a meta inicial seja atingida.

 

Recursos adicionais

Além de mapear os ataques epiléticos, o Epilog também conta com sensores que podem monitorar a qualidade do sono. A empresa promete uma tecnologia superior às encontradas nas smartbands atuais, oferecendo resultados mais precisos sobre a saúde do usuário.

Preço

O Epilog custa US$ 199 (cerca de R$ 840), mas o usuário pode optar pela compra de dois dispositivos por US$ 349 (R$ 1.480). No entanto, a Epitel oferece diferentes opções para que outras pessoas, que não são portadores da doença, também façam parte do projeto como doadores. Dessa forma, elas podem contribuir com o financiamento coletivo, oferecendo até 50 dispositivos para pacientes que não possuem recursos para adquirir um Epilog.

 

Restando 26 dias para o encerramento, o projeto conseguiu arrecadar até o momento pouco mais de US$ 19 mil (pouco mais de R$ 80 mil, em conversão direta), um quinto dos US$ 100 mil estipulados como meta inicial. O valor arrecadado refere-se ao montante acumulado até a produção desta matéria. Vale lembrar também que os preços representam o valor praticado durante a campanha e por isso estão sujeitos à alteração.

Cerca de 1 a cada 26 pessoas no mundo (um total de mais de 70 milhões de indivíduos) pode desenvolver epilepsia em algum momento da vida, por isso a Epitel está concentrando seus esforços para atingir metas maiores. Uma delas pretende levar a tecnologia a mais de 2,1 milhões de pessoas que já convivem com a doença.

Além de ajudar as pessoas com epilepsia, esta meta também visa acelerar o processo de liberação da tecnologia pela federação americana que administra alimentos e drogas (FDA, sigla em inglês), sem a qual o Epilog não pode ser comercializado. Dessa forma, ele não chegaria ao consumidor final.

Apesar de ainda necessitar a liberação da FDA, a previsão é que o dispositivo chegue aos apoiadores do projeto ou aos beneficiados em julho de 2020.

 

Ficha técnica do Epilog EGG

  • Sistema: compatível com Android e iOS
  • Sensores: mapeamento ondas neurais e ritmo cardíaco
  • Cores: preto e branco
  • Preço de lançamento: US$ 199
  • Data de lançamento: previsto para julho 2020

Com informações de Indiegogo, Digital Trends e Inceptive Mind

 

















Falta de medicamentos fornecidos pela Farmácia de Todos em BH

A Associação Mineira de Amigos e de Pessoas com Epilepsia, o Movimento Eu Empurro Essa Causa e a Associação Mães que Informam denunciam a falta de medicamentos fornecidos pela Farmácia de Todos em BH. Em Betim falta o carbamazepina líquido que deve ser fornecido pela unidade básica de saúde.Segundo a mãe a previsão é para fevereiro de 2020 e a adolescente tem o último frasco para o controle das crises epilépticas.
Em 05 de novembro foi feita uma manifestação das mães dessas associações em frente a Farmácia de Todos para reivindicar a medicação par seus filhos.
Acessem o link da entrevista
http://r7.com/tZdG

Reino Unido aprova dois remédios a base de cannabis

Dois medicamentos à base de cannabis, usados ​​para tratar epilepsia e esclerose múltipla, foram aprovados para uso pelo Departamento de Saúde e Assistência Social da Inglaterra, o NHS.

Instituições de caridade receberam bem a iniciativa, embora alguns ativistas que lutam pelo acesso à planta tenham dito que ela não foi suficientemente longe.

Ambos os medicamentos foram desenvolvidos no Reino Unido, onde também são cultivados.

Os médicos poderão prescrever Epidyolex, para crianças com dois tipos de epilepsia grave – síndrome de Lennox Gastaut e síndrome de Dravet – que podem causar múltiplas convulsões por dia.

Os ensaios clínicos demonstraram que a solução oral, que contém canabidiol (CBD), pode reduzir o número de convulsões em até 40% em algumas crianças.

O Epidyolex foi aprovado para uso na Europa em setembro, mas, no texto de orientação, o NICE (Instituto Nacional de Saúde e Assistência Social) disse inicialmente que não era uma opção econômica.

Custa entre 5.000 e 10.000 libras por paciente a cada ano – mas o fabricante, GW Pharmaceuticals, concordou com um preço mais baixo com o NHS.

Estima-se que existam 3 mil pessoas com Dravet e 5 mil com síndrome de Lennox Gastaut na Inglaterra. A droga não contém o principal componente psicoativo da cannabis, o THC.

As decisões sobre a disponibilidade de medicamentos são distribuídas em todo o Reino Unido, mas as orientações do NICE também devem ser aplicadas no País de Gales e na Irlanda do Norte. A Escócia pode seguir o exemplo no próximo ano.

O outro tratamento, Sativex, é um spray para a boca que contém uma mistura de THC e CBD.

Foi aprovado para o tratamento de rigidez e espasmos musculares, conhecidos como espasticidade, na esclerose múltipla. Mas os médicos não poderão prescrevê-lo para tratar a dor.

Foi o primeiro medicamento à base de cannabis a ser licenciado no Reino Unido após testes clínicos e está disponível no NHS no País de Gales desde 2014. Custa cerca de 2.000 libras por ano por paciente.

Naquela época, os reguladores da Inglaterra disseram que não era rentável, mas agora essa decisão foi revertida. Também deve estar disponível na Irlanda do Norte.

Qual tem sido a reação?

A professora Helen Cross, consultora em neurologia pediátrica do Great Ormond Street Hospital, que liderou os testes britânicos do Epidyolex, disse que são “ótimas notícias”.

“As síndromes de Dravet e Lennox Gastaut são epilepsias complexas e difíceis, com opções limitadas de tratamento eficaz, e isso dá aos pacientes outra opção … que pode fazer a diferença no tratamento”, disse ela.

Galia Wilson, presidente da Dravet Syndrome UK, disse: “Muitas famílias vêm até nós perguntando sobre o potencial de medicamentos à base de cannabis, particularmente o canabidiol, e estamos entusiasmados que um já esteja disponível no NHS”.

Mas nem todo mundo é feliz. Muitos pais de crianças com epilepsia estão pagando milhares de libras por mês por medicamentos importados da Europa e do Canadá que contêm THC e CBD.

Eles relataram reduções drásticas no número e na gravidade das convulsões em seus filhos e estão furiosos porque o NICE não aprovou nenhum medicamento à base de cannabis para epilepsia infantil que contém os dois componentes.

O grupo de campanha, End Our Pain, disse que as novas diretrizes são uma “grande oportunidade perdida”.

A porta-voz Millie Hinton disse: “Essa orientação restritiva está condenando muitos pacientes a ter que pagar em particular por medicamentos que transformam vidas, ficar sem ou considerar acessar fontes ilegais e não regulamentadas”.

Como chegamos a esse ponto?

A lei foi alterada em novembro de 2018 para permitir que médicos especialistas prescrevessem medicamentos para maconha, mas isso aconteceu em apenas alguns casos.

Instituições de caridade com esclerose múltipla também argumentam que as diretrizes da NICE não vão longe o suficiente. Genevieve Edwards, da MS Society, disse que faz campanha pelo acesso ao Sativex há anos e “foi brilhante que o NICE finalmente ouviu”.

No entanto, ela disse que as diretrizes não foram suficientemente longe porque não foram recomendados tratamentos à base de cannabis para tratar a dor – um sintoma comum da EM.

Ela também acrescentou que ainda mais pessoas podem perder “porque o Sativex seria financiado por órgãos locais – que podem não ter o recurso necessário para prescrevê-lo”.

Ley Sander, diretor médico da Epilepsy Society e professor de neurologia da UCL, disse que a necessidade de novas opções de tratamento é inquestionável e é reconfortante que o novo medicamento tenha passado por ensaios clínicos e processos regulatórios.

“Estou satisfeito hoje que o Epidyolex seja disponibilizado no País de Gales através do nosso Novo Fundo de Tratamento, o que significa que estará disponível em não mais de 60 dias”, disse Vaughan Gething, ministro da Saúde do País de Gales

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Capacete para escaneamento cerebral ajuda a examinar crianças em movimento

Cientistas usaram um capacete de bicicleta modificado para criar um dispositivo que pode monitorar a atividade cerebral em crianças em tempo real.

A tecnologia pode eventualmente ser usada em pacientes com distúrbios do desenvolvimento neurológico, como autismo e epilepsia, relataram os pesquisadores nesta terça-feira na revista Nature Communications.

Os pesquisadores inseriram um dispositivo vestível de magnetoencefalografia (MEG) em um capacete de bicicleta padrão e registraram com sucesso a resposta do cérebro ao toque materno em crianças de entre dois e cinco anos.

Com o equipamento padrão, é muito difícil examinar o cérebro de crianças com menos de oito anos, disse Matthew Brookes, que trabalhou no dispositivo e é autor do relatório.

“Isso ocorre porque em crianças pequenas, suas cabeças são pequenas demais para caber corretamente no scanner e isso significa perda de qualidade dos dados”, disse à AFP. “Além disso, indivíduos mais jovens tendem a se mover mais”.

O dispositivo está equipado com sensores pequenos e leves que impedem que a verificação seja afetada pelo movimento da cabeça.

As crianças podem usar réplicas do capacete em casa para reduzir a ansiedade durante o exame, disseram os pesquisadores.

A tecnologia não se limita às crianças.

Brookes e seus colegas usaram versões maiores do dispositivo para registrar a atividade cerebral em um adolescente que jogava videogame e em um garoto de 24 anos que tocava ukelele.

Brookes disse que seus colegas da Universidade College London estão trabalhando no uso clínico do dispositivo MEG – incluindo diagnóstico e mapeamento cirúrgico – para adultos e crianças com epilepsia.

Ele espera que as aplicações possam ser expandidas para outras condições, como lesão cerebral, saúde mental e demência.

“Esperamos que (o dispositivo) seja usado para examinar pacientes dentro de dois a três anos”.

Destak // Saúde

Ambulatório de dieta cetogênica do HU é o primeiro do Brasil a tratar exclusivamente de adultos

Segundo o relatório “Epilepsia, um imperativo de saúde pública (em tradução livre)”, divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 75% das pessoas diagnosticadas com epilepsia em países de baixa renda, como o Brasil, não recebem o tratamento adequado. Além desse número, cerca de 20% das pessoas diagnosticadas com epilepsia é, ainda, farmacorresistente, sofrem da denominada epilepsia refratária. Neste cenário, o ambulatório nutricional de dieta cetogênica do Hospital Universitário (HU) da UFSC é o primeiro e único do Brasil a oferecer o tratamento para esta enfermidade exclusivamente para adultos.

A epilepsia refratária refere-se a casos em que não se consegue diminuir ou controlar o número de crises epilépticas com uso de até dois medicamentos, tratamento mais comum.  A dieta cetogênica surge então, em 1920, como um tratamento alternativo, indicado principalmente para esses pacientes. Baseada quase exclusivamente em lipídios, a terapia cetogênica restringe a alimentação a gorduras e proteínas para alterar o funcionamento do sistema nervoso central, diminuindo as descargas elétricas desencadeadas durante as crises epilépticas. Em relação às demais terapias, como a intervenção cirúrgica, o tratamento através de estímulos elétricos ou ainda o farmacológico, a dieta cetogênica é uma das menos invasivas.

De acordo com as professoras Letícia Ribeiro e Julia Moreira, coordenadoras do ambulatório, o principal motivo da escolha pelos adultos como público alvo é a carência de atendimento para esta faixa etária. Soma-se a isso o fato de a eficácia em tratamentos infantis ser superior em relação aos adultos. Entre as crianças com epilepsia, a dieta cetogênica costuma melhorar as crises entre 90% e 100% dos casos, enquanto a resposta dos adultos varia entre 50% a 60%.

O tratamento utilizado no HU é projetado com base no protocolo do Hospital Johns Hopkins, da Universidade de Baltimore (UB), nos Estados Unidos, referência mundial em terapia para pacientes com epilepsia farmacorresistente. Essa convenção determina como a dieta deve ser aplicada e quais procedimentos devem ser realizados antes e durante a terapia. A depender do nível de intensidade das crises epiléticas, muitos não podem caminhar na rua sozinhos ou cozinhar por conta própria. O tratamento adequado pode trazer de volta a autonomia para alguns desses pacientes.

Todo o atendimento é feito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), sem custos hospitalares. Em geral, logo de início, todas as pessoas atendidas concordam em entrar na dieta por, no mínimo, três meses, podendo se estender por até dois anos, quando uma nova avaliação é feita para encerrar a terapia ou não. As consultas ocorrem a cada 30 dias, com monitoramento e acompanhamento em tempo integral. “Os nossos pacientes têm acesso livre aos nossos telefones pessoais, para tirar dúvidas, principalmente do que pode e não pode comer”, comenta a professora Letícia.

A dieta cetogênica aumenta o consumo de lipídios, enquanto diminui o de carboidratos, componente presente na maior parte dos alimentos. Gorduras e proteínas passam a ser mais ingeridas; em contrapartida, o consumo de amido, glicose, lactose e outros de carboidratos é restrito ao equivalente de 5% a 10% do valor calórico total (VCT). Para o café da manhã, por exemplo, os pacientes precisam cortar alimentos habituais do consumo geral dos brasileiros, como pães, leite e qualquer tipo de açúcar. No lugar desses alimentos, as nutricionistas sugerem panquecas cetogênicas, leite de coco e adoçantes industrializados. O prato mais habitual da culinária brasileira, o arroz e feijão, também precisa ser substituído.

“Não é fácil! Quase tudo tem carboidrato”, comenta a neurologista do projeto, Mariana Lunardi, adepta da dieta por oito meses. Por causa da especificidade da dieta, os membros do ambulatório produziram um livro de receitas para encaminhar aos pacientes, com dicas de alimentos para a maior parte das situações. “Levando em consideração que a maioria das pessoas que a gente atende é de baixa renda, estudamos os produtos que mais se encaixavam nessa realidade”, completou.

Estratégia de emagrecimento

A dieta cetogênica é comumente divulgada, também, como estratégia de emagrecimento, justamente por diminuir o consumo de carboidratos. No entanto, conforme relata a professora Júlia, o emagrecimento é um efeito colateral da terapia. Pela sua configuração, desbalanceada em micronutrientes, a dieta cetogênica expõe o indivíduo a risco de algumas deficiências nutricionais. “Não é uma dieta que se possa sair fazendo sem nenhuma orientação ou acompanhamento”, acrescenta.

Como os pacientes não podem comer um grande número de frutas, legumes ou cereais, alguns efeitos colaterais são esperados, como constipação, dor de cabeça, cansaço, fadiga, sono e apatia. Segundo as nutricionistas do ambulatório, esses efeitos podem acontecer até que o metabolismo se adapte à dieta. O tempo pode variar de uma semana a alguns meses. “É um tratamento como qualquer outro, tem que ser seguido à risca. Qualquer pisada fora pode comprometer a eficácia”, alerta a professora Letícia.

Erick Souza / Estagiário de Jornalismo / Agecom / UFSC

Ciclo de palestras sobre epilepsia 2019

Canabidiol Verdades e Mitos

Palestrante: Dr. Lécio Figueira Pinto

Evento gratuito e aberto ao público

Palestra dirigida a profissionais, estudantes, pessoas com epilepsia, familiares e interessados pelo tema.

Certificado de participação aos presentes.

Transmissão ao vivo em nossa página –

f live /AssociaçãoBrasileiradeEpilepsia

Data do evento: 12 de novembro de 2019

Horário: Das 19h20 ás 21h00

Local: Anfiteatro Jóse Cassiano de Figueiredo (UNIFESP)

Rua Botucatu, 862, Vila Clementino – São Paulo – (SP)

(Próximo as estações do metrô Santa Cruz e Hospital São Paulo)